Paulo Afonso pediu para deixar cargo de chefe de gabinete de Isabel Ferreira
Paulo Afonso pediu a demissão de chefe de gabinete da presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, no final da semana passada, de forma a “evitar ser utilizado como arma de arremesso política” contra o executivo.
A decisão de Paulo Afonso surge na sequência de uma publicação, na semana passada, da rádio Regional, com alvará do concelho de Vimioso, que colocou em causa o despacho de nomeação do antigo diretor da rádio Brigantia como chefe de gabinete, alegando que Paulo Afonso ainda estaria ligado à empresa PressNordeste (proprietária da Brigantia) depois de ter sido nomeado para estas funções, que são exercidas com exclusividade.
Ao Mensageiro, Paulo Afonso desmente categoricamente as alegações contra si produzidas, até porque a escritura pública da venda do grupo PressNordeste (que inclui a rádio Brigantia e o jornal Nordeste) data de 31 de julho, tendo o negócio sido aprovado pela Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) – numa deliberação a que o Mensageiro teve acesso – a 05 de dezembro, portanto, quase um mês antes de ter sido nomeado por Isabel Ferreira.
“Mas não podem restar qualquer tipo de suspeitas e não posso manter-me numa situação que gere dúvidas públicas, apesar de não ter qualquer tipo de ligação à empresa [Brigantia] desde 31 de julho”, frisou Paulo Afonso em declarações ao Mensageiro.
“Não posso permitir que seja utilizado publicamente para atingir o executivo e a Presidente da Câmara. Percebe-se uma intenção clara porque esta mudança significou mal-estar político para algumas pessoas que estavam instaladas e há aqui uma intenção clara de perturbar a governação. E isso não se pode permitir. É injusto. Não posso ser um fator de perturbação”, sublinhou.
Paulo Afonso considera que a publicação da rádio Regional se trata de um “ataque pessoal em que a linguagem não é jornalística nem objetiva nem factual”. “São aproveitadas informações descontextualizadas que só promovem a mentira para atacar a minha pessoa. Nunca tive qualquer processo, seja judicial ou na entidade reguladora. Coloquei o lugar à disposição para não haver aproveitamento político”, vincou.
Agora, promete recorrer “a todas as instâncias legais para apurar responsabilidades em relação ao artigo”. “Não é prestigiante para a própria comunicação social e a sua credibilidade. Não obedece às mais básicas regras jornalísticas”, disse.
Paulo Afonso deixa, ainda, uma “palavra de reconhecimento pela confiança e oportunidade que foi dada” por Isabel Ferreira.
Ao Mensageiro, presidente da Câmara garante manter a confiança no agora ex-chefe de gabinete. “Continuo a confiar inteiramente no Paulo Afonso. Foi uma cessação de funções a pedido dele e eu aceitei o pedido de exoneração”, com efeitos desde 10 de janeiro.
