A opinião de ...

A presunção da professora

Talvez porque estão na moda as máscaras, uma professora de Freixo a vendar aulas em Bragança, demonstrou a impassibilidade de máscara e conflito irreconciliável com o bom senso ao postar no Facebook jactâncias de vampe em plenitude no tocante a atributos de sedução sensual capazes de provocarem sedenta inveja em amigas e/ou conhecidas.
A exuberância ordinária da linguagem própria de garoto a despontar-lhe o buço inçado de borbulhas levou o Sr. António Pires a escrever neste jornal um artigo sereno, pejado de sensibilidade, zangado, porém cordato, demonstrando recato no comentário à sórdida exibição de pulsão que manda a prudência e o respeito pela profissão, pelas e pelos colegas, pela sociedade em geral.
Avesso a puritanismos sejam vitorianos (da época da rainha Vitória) ou farisaicos da escola das públicas virtudes e vícios privados, inquieta-me a crescente exibição daquilo que também somos fritos, caca e urina, a recordar-me o violento filme Saló, de Pasolini que vi nos agitados dias do PREC.
Confesso à puridade ter-me interrogado sobre a pertinácia no emitir opinião relativa ao conteúdo do assisado artigo do Sr. António Pires, por dois motivos. O primeiro radica-se na matricialidade genética do Mensageiro que me leva a duplicar ponderação nos conteúdos e linguagens, a segunda não sendo, nem pretendendo ser exemplo para ninguém atrever-me a tal, no entanto, a educadora transgrediu grosseiramente o estatuto de docente, não tendo a decência de moderar a paixão impelida pela razão de as vinculações de pelagem não deverem servir de argumento de desqualificação. Eu estava em Boston quando Rosa Mota ganhou uma medalha, ao cortar a meta levantou os braços e mostrou os sovacos repletos de pêlos dando azo a fortes risos e gracejos, respondi de forma a as e os ignaros perceberem as especificidades de pessoas cuja educação assentava noutros paradigmas de arranjo estético e hábitos educacionais. Os risos cessaram, brindámos em honra da atleta portuense.
Por razões de higiene mental não estou agregado a nenhuma rede social, reconheço as suas virtudes, porém entendo que os seus malefícios me obrigam a delas guardar prudente distância, não por acaso o Professor Marcelo procede da mesma maneira. Imaginemos quão diferente seria o Mundo se Trump estivesse arredado do Twitter?!
A professora inchada de presunção beneficiou da generosidade do Sr. António Pires escrever pedagogicamente, se assim não fosse teria a mesma sorte da sua colega de Mirandela que andou nas bocas do Mundo em virtude do seu apego ao exibicionismo. A mulher de César…

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