A opinião de ...

ELEIÇÕES: - FINALMENTE, A HORA DA GRANDE CALDEIRADA

Mal foram divulgadas as primeiras projecções dos possíveis resultados das recentes eleições para a Assembleia da Região Autónoma da Madeira e logo toda (quase) a classe política, como diriam os brasileiros, entrou numa desbunda hilariante de comentários peregrinos, cada qual o mais ridículo, oportunista e desenquadrado do momento e da realidade vivida naquele arquipélago, revelando a muita classe que lhes falta e a pouca competência que lhes sobra. Afinal, seria tudo tão simples. Bastaria que, com dignidade e elevação, os vencedores celebrassem a sua vitória e os vencidos, com humildade e sentido de responsabilidade, tivessem a dignidade de felicitar os vencedores e, conformados com a vontade expressa dos eleitores, inteligentemente reconhecessem e digerissem a sua derrota, tirando dela as necessárias ilações para o futuro. Bem pelo contrária, a maior parte desta gente que teima em fazer da política o seu modo de vida, não se sabe por que interesses inconfessados ou por que estratégia sem qualquer nexo, que insiste em não respeitar a vontade soberana dos eleitores assobiando para o lado e, o que é mais ridículo ainda, sem pejo nem vergonha, continua a correr desalmadamente para as televisões para, num misto mal caldeado de superioridade balofa, jactância imbecil e despudor incorrigível, transformar o amargo das suas derrotas em fantasiosas vitórias, prestando-se, com supina ignorância, a falar do que não sabem, dizer o que não querem ou o que os pressionam a dizer, pavoneando-se, como uma casta superior, dona e detentora de toda a razão e da sua verdade.
Na defesa intransigente dos valores de referência da democracia, no precioso tempo que ainda resta da actual campanha, o mínimo que se pode exigir e esperar dos proponentes e defensores das diversas propostas em confronto, é que o façam com verdade, dignidade, ponderação, honestidade e sentido de responsabilidade.
-Com verdade, porque a mentira tem aperna curta e, por isso, demora pouco a ser apanhada;
-Com dignidade, respeitando-se si mesmos e às pessoas a quem se dirigem;
-Com ponderação para não terem de se retratar de falhas de lapsos e exageros desnecessários;
-Com honestidade sim, acima de tudo com honestidade porque, se as pessoas estão a ficar cada vez mais alheadas da política, desiludidas com a democracia, fartas e cansadas com os políticos, por mais que isto custe a engolir a muito boa gente, a culpa é única e exclusivamente de quem se serve dos votos para “arranjar tacho”, dos charlatães e demagogos que nada mais sabem ou querem fazer que manipular a boa fé das pessoas, vender ilusões e, com a maior desfaçatez deste mundo, na certeza de que nunca o poderão fazer, prometer a todos este mundo e o outro;
-Com sentido de responsabilidade porque não se pode trair a confiança de quem vota, valorizando os votos apenas para legitimar as ambições e os interesses individuais ou de classe de políticos desonestos, oportunistas, irresponsáveis e mal preparados, que apenas se servem das eleições em proveito próprio e/ou dos seus que, com o maior desplante deste mundo, gozam e brincam com o presente e com o futuro de todo um povo.
A este propósito, o terremoto desencadeado pelas notícias agora divulgadas sobre a tragicomédia do roubo e do achamento das armas do quartel de Tancos que, por mais que uns tantos tentem desvalorizar e queiram fazer esquecer antes do dia das eleições, o certo é que abanou até às fundações a estrutura da nossa democracia. Pelo muito que já foi publicado e, muito provavelmente, pelo muito mais que acabará por ser revelado, porque nada acontece por acaso, estão presentes todas as condições para que no dia das eleições, todos cumpram a sua obrigação de votar, expressando claramente o que querem para si e para os seus, como e a querem confiar o seu futuro e o futuro do nosso País.

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