A opinião de ...

Mário Centeno: A saída pela porta dos fundos

Subitamente, nesta terra que ainda é a nossa, como que por encanto, parece que a vida parou e desapareceram todas as agruras e preocupações que afligiam os nossos dias e nos tiravam o sono , e tudo isto, imagine-se, porque nunca mais se sabia qual o destino que os azares da vida ou as benesses da sorte terão reservado para o Dr. Mário Centeno, o ministro das finanças agora substituído. Como se um dantesco cataclismo tivesse desabado sobre o antigo e nobre torrão lusitano, parecendo que as suas gentes, rijas e valentes como poucas, esqueceram os quase dez séculos da sua história impar e os rasgos de indomável coragem e bravura com que, uns após outros, foram vencendo todos os Adamastores e Miguéis de Vasconcelos que se atravessaram no seu caminho.
Com o assentar da poeira do tempo e o cair das máscaras, e isto só não viu quem não quis ver, o que, eufemisticamente, quiseram vender como uma vulgar mudança de ciclo, não passou de mais uma sessão do Circo político muito bem encenada, mais divertida que qualquer companhia circense, das muitas e variadas que, pelo Natal, tanto divertem a nossa pequenada, na qual houve de tudo um pouco. Houve contorcionismo, cambalhotas e golpes de rins. Houve malabaristas, ilusionistas e domadores e, a colorir tudo isto, houve ainda uma classe política que, mais uma vez, com poucas e honrosas exceções, se saiu muito mal na fotografia.
Se tudo isto não fosse já demais, as coisas ainda não ficaram por aqui.
Para completar o ramalhete, tivemos uma Assembleia da República a fazer leis por medida, um agora ex-ministro todo poderoso que, parecendo não conhecer bem o seu chefe, esticou a corda para muito além do desejável e, quando as coisas começaram a ficar pretas ali para a Praça do Comércio, como tantos outros, saltou do barco antes que este se afundasse para, logo de seguida, se apresentar como uma referência e herdeiro natural dum lugar de destaque feito à medida e mais uma brilhantíssima intervenção do nosso Primeiro quando veio a terreiro emocionar o povo, confessando que, como ninguém no país, não compreendia nada de todo o alarido gerado à volta desta remodelação no seu governo.
Desculpe, Sr. Primeiro ministro, mas o senhor sabe muito bem que não é bem assim e também sabe que muitos de nós também sabemos que o senhor compreende tudo isso e muito mais.
É só esperar para ver!

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