A opinião de ...

Aos votos, minha gente, aos votos!

Este artigo ainda chegará às bancas dos jornais antes do fim da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 6 de Outubro de 2019. Por isso, vale a pena falar destas eleições, sobretudo apelando às pessoas para irem votar.
Cada pessoa, individualmente, é detentora do direito de depositar, secretamente, o seu voto em quem gostaria que a governasse e sobre quem gostaria que a representasse na Assembleia da República. No final, aquele e aqueles candidatos que juntarem mais opiniões favoráveis, recebem o mandato ou de governar e de representar ou só o de representar.
É pena que os regimes democráticos ainda não tenham conseguido arranjar formas de serem os cidadãos a decidir quais os candidatos a propor ao eleitorado. É neste sentido que costumo dizer que a democracia é uma ditadura suave porque os cidadãos não escolhem os candidatos, podendo apenas votar nas listas e em candidatos que lhes são impostos pelos partidos.
Isto significa que os cidadãos foram substituídos pelos partidos, em nome da governabilidade. Se cada cidadão pudesse propor candidatos, talvez tivéssemos cinco milhões de candidatos e ninguém se entenderia. E qualquer alternativa ao modelo actual é muito difícil de conseguir.
Os candidatos andaram dois meses a propor-se e a chegar a nossas casas via televisão, rádio e jornais expondo os seus argumentos. Tiveram dois meses, 61 dias, 976 horas para fazer passar as suas mensagens. É obra! Mas cada pessoa do povo soberano só tem um ou dois minutos para exercer o seu poder, na urna, poder que só controla o Poder por um dia. Parece bem pequeno este poder.
De qualquer forma, vale muito mais esta ditadura suave do que a anarquia ou a ditadura autoritária. Por isso, aceitemos discutir os candidatos que nos propuseram. São um mal menor e representam o bem e o mal da humanidade portuguesa.
Tem havido ideias para muitos gostos mas esta campanha legislativa teve a originalidade de fazer esquecer o comunismo e o socialismo. Todos se afirmaram sociais-democratas o que, sabemos, não é verdade. E a campanha parecia uma pasmaceira até que os paióis de Tancos a fizeram explodir.
A campanha explodiu e as poucas ideias e projectos ainda existentes desapareceram do debate. Agora, só dá Tancos. Provavelmente, há por lá petróleo. Ou ouro, como no Brasil. Veremos como acaba a história.
No meio deste «fogachal» todo, resta-nos ir votar. De preferência, com o cravo na lapela ou no peito. Ficar em casa não resolve nada. Se formos todos votar, ganha a democracia. Se não formos, ganha Salazar, mesmo com o corpo comido, e o seu modelo de Estado, Autoritário, Administrativo e Corporativo

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