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A Meditação no caminho espiritual para a Páscoa

“Tanta espiritualidade e ainda a Meditação! Bolas, acha que temos capacidade para mais?” Dizia-me um amigo, comprometidíssimo na Igreja, ao desafio que lhe lançava de introduzir uns momentos de Meditação no programa anual do grupo.
A Meditação não é mais uma espiritualidade, tal como o exercício físico em si e, só por si, não define nenhuma modalidade desportiva, mas está em todas, é o “ginásio da mente”! Uma pausa de 10 minutos por dia, no silêncio, na quietude, na simplicidade, preparam-nos para agir e, reagir ao “stress” da vida quotidiana, aumentando a capacidade reflexiva, cognitiva, o bem-estar emocional, que nos predispõe a restabelecer as forças do corpo e, aprofundar o caminho espiritual.
A Meditação, oração do coração, pura, ou contemplativa, enraizada em Jesus Cristo, permite que a presença misteriosa de Deus em nós se torne não apenas uma realidade, mas a realidade que dá sentido, forma e direção a tudo o que fazemos e a tudo o que somos.
Nesta Quaresma, o nosso espaço de deserto, pode bem ser atravessado, diariamente, com a ajuda da Meditação, para “viver em pleno vento”, transcendendo-nos, como diz Sophia M.B., citada pela Comissão Nacional Justiça e Paz. Contactar, com o mais profundo possível, com a fonte da vida e, possibilitar ao nosso espírito um espaço dentro do qual se possa expandir, como refere Jonh Main.
Esta prática oriental comum a várias filosofias, ou credos, está cada vez mais assumida no ocidente entre os jovens. Cumpre-nos encaminhá-la por Cristo, com Cristo e, em Cristo, para que penetre profundamente e, rompa a dureza do nosso coração, convertendo-o cada vez mais a Deus e à sua vontade, como refere o Papa Francisco, na sua mensagem da Quaresma.
Meditar para “saborear o silêncio e a intimidade com Deus”, para abrir a porta à contemplação, à transcendência. Para nos prepararmos plenamente pela Eucaristia, pela Reconciliação, pela Lectio Divina, pela Adoração Eucarística, pelas “24 horas para o Senhor”, para a Páscoa como refere D. José Cordeiro.
Não menosprezemos os jovens, pois eles mostram que são capazes de se abrir às propostas contemplativas, ajudemo-los a iniciarem-se nestas experiências de valor elevado. Assumamos o desafio com responsabilidade, criatividade e audácia. “Say Yes”: Aprende a dizer sim, valorizando o caminho de discernimento da própria vocação cristã.
Treinemos a maturação e, consciencializemo-nos para a viver a Páscoa na vida que se alimenta da Eucaristia: a esmola, o jejum, o silêncio, a oração, a penitência [5].

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