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Obras na Igreja [22] Uma boa liturgia começa na sacristia

A sacristia é parte integrante do interior do edifício da igreja, local onde se guardam as vestes litúrgicas e, outras objetos necessários às celebrações. Pode ainda ter, num espaço contíguo, sala de reuniões, casas de banho e, outras dependências. Neste local, onde se vestem e preparam os ministros, antes de darem entrada na celebração, requer uma dignidade especial, por ser como que a antecâmara do lugar mais sagrado, o presbitério. Sacristia, étimo latino, significa «próximo do sagrado». Com frequência, é lugar de encontro particular do pastor com os fiéis.
Também se usa, por vezes, o termo “remeter a igreja para a sacristia” para significar as dificuldades que se levantam à atuação pastoral. “D. Tomás da Silva Nunes admitia que as dificuldades que têm sido criadas à ação da igreja têm como base uma visão redutora da laicidade do Estado que tende a remeter a igreja para a sacristia e para esfera do privado”.
Ao pensar o projeto de adaptação de uma igreja a sacristia nada deve ficar de fora. Pense-se a adequação, a capacidade, a disposição, o local, a segurança, o estado de conservação e, as intervenções de adaptação e de restauro.
Dote-se a sacristia de uma entrada direta para o espaço da assembleia, de modo a permitir o desenrolar ordenado da procissão de entrada.
O lavabo de pedra, presente em muitas sacristias antigas, conserve-se com o seu uso tradicional, evitando integrações ou substituições inadequadas.
Quanto aos móveis da sacristia, que com frequência tem grande valor histórico e artístico, sejam conservados com cuidado e, se for caso disso, oportunamente restaurados.
Conserve-se na sacristia, com grande atenção e respeito, em armários próprios, os relicários e, as relíquias.
Junto à sacristia, convêm também fazer, ou arranjar, um depósito bem organizado e seguro para as alfaias [móveis] que estorvam, ou já não estão em uso [castiçais, cruzes processionais, objetos pertencentes às confrarias, etc.].
Próximo da sacristia instalem-se os sanitários, o lugar para os apetrechos para a limpeza e, o cuidado das flores.
A sacristia, antecâmara do presbitério, deve preservar-se do ruído e, das conversas desnecessárias, pois para sacristães, ministros do altar, acólitos, presidente da celebração e, demais concelebrantes, a celebração “começa” aqui. Não deve ser sala de reuniões, antes ou durante a celebração, mantenha-se o tom reverente, sóbrio, guarde-se o silêncio necessário “para que todos se disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios” [IGMR, 45].
Local de envolvência do sagrado, a sacristia, é espaço de evangelização, extensão da casa de Deus, onde os fiéis procuram a bênção, para si e para as suas famílias, bem como para os objetos. Aqui um responsável deve cuidar do asseio, da ventilação, da decoração com flores naturais, organizar os paramentos litúrgicos nos armários, as hóstias, vinho, velas, incenso, e tudo o mais para as celebrações.
Por tudo isto bem se pode dizer que: uma boa liturgia começa na sacristia!

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