A opinião de ...

Obras na Igreja [6]: O adro lugar de obras, de interpelação, de investigação, de coesão territorial, de salvaguarda do planeta.

A Igreja necessita de obras, a começar pelo adro. O Papa Bento XVI abriu os trabalhos falando-nos, desde o «Átrio dos Gentios», de uma Igreja que precisa de abrir caminhos de diálogo, intercâmbio e ações conjuntas entre crentes e não crentes, iniciativa que a seguir o Pontifício Conselho para a Cultura, levou a vários países [1].
D. António Moiteiro diz que nos colocamos demasiado na sacristia, quando devíamos ir para fora, para os adros das igrejas e, para os areópagos do mundo de hoje [2]. O «Átrio dos Gentios», “sonhado por Bento XVI, tantas vezes concretizado pelo Papa Francisco”, reclama uma igreja em saída, com um “novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo, que renovam a Igreja” [3].
O adro deve ser cada vez mais o lugar de encontro, reflexão, para “valorizar o ADN eclesial do acolhimento, da disponibilidade, da comunhão”, que a oração gera em nós, capacitando-nos a atingir o amor de Deus e a difundi-lo ao mundo, para o contagiar com a caridade, a disponibilidade e a concórdia” [4], como refere o Papa.
O adro não é apenas o terreiro em frente, ou à volta da igreja [5], o “campo santo”, ou “sagrado”. O adro é muito mais que o espaço consagrado, para servir de cemitério, de espaço processional para as mais diversas ações culturais e, cultuais. Na arquitetura moderna dos hotéis, ou edifícios públicos, o átrio [adro] é uma sala espaçosa, que dá acesso a outra de maior importância. Assim desejaríamos que os nossos adros, lugares de encontro, dessem lugar à promoção de iniciativas concretas, mais importantes, na grande sala comum que é a Igreja.
Os adros são fontes privilegiadas de informação arqueológica, histórica e, antropológica, onde ainda não se removeram os cemitérios medievais. Por isso a colaboração, com estes ramos de saber urge que se facilitem os trabalhos de prospeção, para avaliação dos hábitos, costumes, tradições ancestrais, que o ADN das “ossadas” revela.
Os adros congregam, aproximam, as pessoas, são lugares de debate, de ideias, de projetos, de reforço de laços, neles se prepara a entrada para a Igreja, ou aguarda-se a saída.
Os funerais católicos, no distrito de Bragança, são autênticas “manifestações” de solidariedade para com a família do defunto, que ajudam a reforçar a coesão do tecido social e, comunitário. Muitos dos participantes não ousam passar as portas da igreja, mas estão presentes, reservam para si o «átrio», o lugar de encontro, de verdadeira solidariedade, à espera que saia o cortejo, para se associar. Não comungam Jesus, mas não prescindem de “O” acompanhar, juntamente com o féretro do amigo.
Os adros contribuem para a salvaguarda do planeta, no “cuidado da criação”, se aderirem à “conversão ecológica”, “Igreja verde”, que em França une católicos, protestantes e ortodoxos, desde o final de 2015, no combate às alterações climáticas, reclamadas pela 'Laudato si' do papa Francisco. Como podemos fazer? Investindo em painéis solares, em reservatórios para aproveitamento das águas das chuvas, entre outros, que assegurem a autossustentabilidade das estruturas religiosas e, contribuam para a salvaguarda do planeta [6], entre outros.
O adro ainda é, sem dúvida, um lugar de obras, de interpelação, de investigação, de coesão territorial, de salvaguarda do planeta!

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