A opinião de ...

Obras na Igreja [9] A nave, lugar da assembleia reunida!

Quantas vezes ouvimos dizer: “eu não sou crente, não frequento as celebrações, mas vou à igreja quando há menos gente para estar a sós pois aí sinto-me bem e, em paz”.
As igrejas são lugares significativos, ricos de imagens, carregadas de sentido, onde nada deve estar ao acaso. Quem vive intensamente a liturgia compreende não só os gestos físicos, mas também o emprego adequado das coisas exteriores. Todos estes sinais possuem o poder de impressão e expressão. Por um lado comunicam a verdade e persuadem, por outro libertam projetando a verdade como plenitude [1]. Talvez por isso nestes lugares se sinta tanto a envolvência mística que muitos procuram.
O nosso cuidado volta-se hoje para a nave central, espaço limitado longitudinalmente numa igreja entre a entrada principal e a cabeceira [presbitério] porque o edifício deve reproduzir a imagem da assembleia congregada [IGMR 294], constituída pelos fiéis [a grande maioria] e pelos ministros [minoria]. É na nave, a parte mais ampla em relação ao edifício, que ficam os fiéis, enquanto no presbitério, de menores dimensões do que a nave, ficam os ministros, sacerdote celebrante, diácono, acólitos, etc. [2].
A assembleia comunidade reunida, em grego designa-se synaxis e, em latim assimulare [simul ao mesmo tempo]. No AT o povo sentia-se convocado por Javé, o «gahal Jahvé», a convocatória em torno de Jesus, chama-se sobretudo igreja [ekklesía], povo convocado e congregado. A Igreja, nunca deixou de se reunir em assembleia para celebrar o Mistério Pascal» [SC 6], sobretudo para a Eucaristia dominical, porque o domingo, desde a primeira geração, é o dia por excelência da reunião da assembleia cristã.
A Congregação para o Culto Divino, no número 12, no documento Celebrações na Ausência de Presbítero [1988] vinca que as comunidades sem presbítero não poderão celebrar a Eucaristia, mas sim «a reunião dos fiéis, para manifestar que a Igreja não é uma assembleia formada espontaneamente, mas convocada por Deus, ou seja, o povo de Deus organicamente estruturado, ao qual preside o sacerdote na pessoa de Cristo Chefe» [3].
Da assembleia os fiéis [4] sentados nos bancos, ou cadeiras, podem participar devidamente, seguindo com os olhos e o coração as celebrações.
Longe vai o tempo em que havia lugares cativos na igreja para homens, para mulheres e, para pessoas especiais [mecenas, benfeitores…]. Reprovado este costume os lugares nas igrejas, nomeadamente as de recente construção, devem dispor-se para que os fiéis possam assumir com facilidade, as diferentes posturas corporais [de joelhos, de pé, sentado], que cada parte da celebração exige e, para mais facilmente se aproximarem para receber a comunhão [IGMR 311; SC 32].
Já os cantores, fazendo parte integrante da comunidade que se reúne e, desempenhando o ofício particular de animar a celebração pelo canto, devem colocar-se num lugar da assembleia de onde lhe seja mais cómoda e fácil a sua participação plena nas celebrações [5].

Edição
3740