A opinião de ...

Usos, costumes, rituais e protocolos [1

“Coro e decoro”…
No coro haverá pouco decoro? Olhemos para os usos, costumes, rituais e, protocolos, em torno dos atos celebrativos cristãos. Públio Terêncio [195-159 a.C.] dizia: “nada do que é humano me é estranho”. Na mesma linha o n.º 1 da Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” [07/12/65], do II Concílio do Vaticano, assumia a íntima união da Igreja com toda a família humana afirmando que esta está “intimamente ligada ao género humano e à sua história”.
O peso da matéria requer humor e alegria, prelúdios do homem redimido. Para Ricardo Araújo Pereira [RAP] a melhor forma de aligeirar as coisas é humorizar, isto torna-as mais manejáveis, mais humanas. Hoje vem a calhar, 18/01/2020, assinala-se o dia internacional do riso e, “a rir dizem-se verdades sem ferir suscetibilidades”. A mim, tal como a RAP, agrada-me ver o lado mais humorístico das coisas que em princípio não tem piada nenhuma”.
Na igreja, a solenidade é tanta que parece que se exige, como diz o papa Francisco, “um espírito retraído, tristonho, amargo, melancólico ou um perfil sumido, sem energia. Mas o santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança.
O hábito não faz o monge, mas por vezes dá uma ajudinha. No Ocidente, ir à missa de calças rotas, a pedir subscrição para remendos, calções, decotes vertiginosos, mini-saia, ou de havaianas, é um perigo! Quem sabe se não levamos com um padre, ou uma comunidade mais “melancólicos” que podem tirar-nos a ligeireza e, obrigar-nos a comprar tecido, ou quem sabe a bater o salto e, dar sola aos sapatos, de vergonha.
Para Sisto V [papa, 1521-1590], veste é tudo quanto nos cobre, abriga e, adorna; material remédio para a nudez humana que a cultura eleva a sonoro meio de comunicação não-verbal. Em 1966, Mary Quant, [criadora da mini-saia] cortou tecido e destapou. A estilista não queria que a moda fosse um tédio, antes divertida, irreverente, barata, adequada à personalidade e espírito juvenil, nada a imitar os mais velhos. Junto com este grito difundiu-se também o mito da “eterna-juventude”. O frenético ambiente da moda juvenil, de rua, de praia, invade todos os ambientes e, contagia todas as faixas etárias, rebentando protocolos, distendendo a beleza, e quantas vezes destapando o ridículo, que este e, o bom senso, foram travando, pondo os “pontos nos is” e, cada trapo no seu sítio.
Batizados em Cristo [Rom. 6, 3], ao escolher a “toalete”, devemos recordar que Ele é presença viva em nós, luz que ilumina e orienta as nossas escolhas. Por isso a sobriedade é a nossa veste, a fé e a caridade o nosso agasalho, a esperança da salvação o nosso capacete [1 Tes. 5, 8]. O escândalo é inevitável, mas que ele não venha por nós [Mateus 18:7]! Somos “discípulos missionários”, chamados a levar o Evangelho ao mundo. Independentemente da função, de cada um de nós, na Igreja, ou do grau de instrução na fé, somos sujeitos ativos de evangelização, por isso requer-se de nós e, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo, que faça a diferença, também no vestir. Somos chamados a inspirar confiança, cuidando da imagem, alinhando o interior com o exterior.

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