A opinião de ...

O desejo cristão pela Santa Missa (continuação)

Não somos, na verdade, povo sem terra e vazio de sentido. Sabemos bem que do ponto de vista antropológico o vazio deixado por alguém ou por algo faz com que, inevitavelmente, seja preenchido por outro alguém ou por outro algo. Não queremos que o espaço da Fé e de Deus seja preenchido por outra coisa qualquer. Gilbert Chesterton (escritor e filósofo) dizia que não há problema em não acreditar em Deus: “o problema é que quando se deixa de acreditar em Deus e se começa a acreditar em qualquer outra farsa, seja na história, na ciência ou em si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo”. Por isso, irmãos e irmãs na fé, sejamos audazes e proactivos na difusão alegre da misericórdia e na promoção contagiante das maravilhas de Deus.
É chegado o tempo para a afirmação da Fé e para a afirmação de Deus no espaço público e de decisão. “Deus existe, quer o seu Governo queira, quer não. E tudo devemos fazer para que não nos seja negado o mais básico e fundamental direito de, pelo menos, assistir (participar) à Santa Missa uma vez por semana e de comungar” (Pedro de Castro, advogado).
Vivemos doze semanas de confinamento, de resguardo, de paciência, de resistência e de oração. Doze “semanas de muitas cautelas, de novas rotinas, de um novo normal que é, na verdade, uma normalidade nova. (...) Agora tem de ser a moral a superar o medo, a generosidade a superar o desespero, o coração a ultrapassar a razão” (Fernando Seara, advogado).
Doze semanas que, simbolicamente, nos recordam as doze tribos de Israel, os doze Apóstolos e as doze estrelas da coroa de Maria. De alguma maneira eis que o Espírito Santo nos inicia num tempo novo, numa normalidade nova, numa nova dinâmica e numa nova pastoral de encontro e de discipulado em missão e em comunhão. É certo que passamos pela vivência – demasiado prolongada – de um novo tipo de sofrimento e de incertezas, e que o nosso bispo, D. José Cordeiro, tão oportunamente chamou de “tempo de vésperas”. Na verdade, somos o povo novo deste novo tempo, a nova tribo de Israel, a nova imagem eclesial exigida e necessária para esta nova normalidade e para esta nova realidade que se nos impõe e nos reclama testemunho e exemplo!
Termino com a eloquência de São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, patrono dos nossos sacerdotes: “Se soubéssemos o valor do Santo Sacrifício da Missa, quantos esforços faríamos para a ela assistir (participar)”. É mesmo!

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