Salsas cumpriu a tradição de fazer sair os caretos nos Reis e atraiu quase um milhar de pessoas
Na aldeia de Salsas, nem a neve que caiu ao final da tarde de domingo impediu os caretos de cumprirem a tradição e saírem à rua, numa festividade que já vai fazendo escola e que este ano atraiu quase um milhar de pessoas àquela povoação ao longo dos vários dias em que se festejaram os Reis (de 04 a 06 de janeiro).
Desta vez, a organização, a cargo da Associação Cultural e Recretiva dos Amigos dos Caretos de Salsas e da Junta de Freguesia loca, apostou também num espaço de exposição e venda de produtos locais, que acabou por servir de abrigo durante a nevada.
“Temos a festa do solstício, conhecida como a Festa dos Rapazes, que decorre desde o solstício, a partir do dia 20 de dezembro, até meados de janeiro. Talvez uma das últimas festas seja a dos Reis, mas todas têm, de uma forma ou de outra, ligação ao solstício.
Aqui em Salsas temos uma tradição um pouco diferente: os caretos saem à rua entre a noite do dia 1 e o dia 5 de janeiro, entram nas casas, chocalham, “roubam” algum fumeiro e depois juntam-se para comer à lareira de alguém. O que sobra, muitas vezes, segue para o peditório das almas, no dia 6”, explicou o dinamizador do evento e presidente da Junta, Filipe Caldas.
Este ano, juntaram-se cerca de 20 grupo de caretos, oriundos dos distritos de Bragança e Vila Real mas, também, de Espanha. “Só de Mogadouro vieram seis grupos”, contou Filipe Caldas.
“Para dar outra visibilidade à tradição, o que fizemos foi também cruzar culturas de outros povos e até de outras freguesias do concelho. Estão todas ligadas, mas cada uma tem o seu encanto próprio. Este ano temos aqui cerca de 20 grupos, todos diferentes, mas quase todos relacionados com o solstício”, frisou.
O que nós queremos é manter a tradição: manter os fatos, as máscaras e os chocalhos tal como se faziam há 100, 200 ou 300 anos. É isso que nos interessa — ter o passado presente, viver o presente e transmitir esse presente ao futuro. O nosso objetivo é manter vivas as tradições”, garantiu.
