A opinião de ...

A degradação

Um vulgar dicionário acerca do termo degradação regista: «decomposição, desgaste, deterioração». Convido o leitor a meditar um minuto acerca dos termos acima referidos. Sem grandes nás e nefas chegará à conclusão que as instituições a principiar pelo governo evidenciam ruidosos sinais de os bichos-carpinteiros estarem a minar a confiança entre o povo pagador de impostos e organismos que à partida dada a exemplaridade do seu funcionamento seriam nobilitadas e elogiadas a torto e a direito por esse mesmo povo impedindo o enfraquecimento do Estado ao reforçar a solidez do Serviço Nacional de Saúde, a ministra Temido não gera temor, gera lágrimas e suspiros, o Sr. Cabrita das forças de segurança grávido de bazófia afiança sermos um País seguro, estou seguro de ele não ler os jornais, o desapontamento cresce relativamente à acção dos Tribunais, ao prestígio das Forças Armadas, à ineficácia da Segurança Social, à indisciplina escolar, porém António Costa afirma que nada disso acontece. Acontece a balbúrdia. Mais ou menos envernizado o desgaste de Costa e do governo são notórios, logo patentes e riscantes, só não vendo quem não quer.
O caso do aeroporto do Montijo é paradigmático do amadorismo político e do arrotar (desculpem o vocábulo) de postas de pescada do ministro Nuno Santos, da hipocrisia dos socialistas ao pedirem os votos do PSD apesar de a todo tempo preferirem a geringonça mesmo quando no vira as costas à eleição de Vitalino Canas (membro fundador da Confraria Ibérica da Castanha) e outro seu camarada. Ainda no que tange ao Governo, não deixa de ser curioso a Ministra da Agricultura ter vindo ao Nordeste recolher sugestões a fim de saber o que fazer. Conheço bem Maria do Céu Albuquerque, a sua nomeação provocou surpresa no Ribatejo pois não lhe são conhecidas ligações ou trabalhos no sector agrícola. Esperemos que tenha aprendido a diferenciar um butelo de um maranho. O ronceiro SNS fala por si, os generais falaram e escreveram dando conta do descalabro reinante nas Forças Armadas. O filho de João Cravinho não tuge, nem muge. O atraso no pagamento de pensões aumenta o sofrimento e a penúria daqueles que recebem muito pouco. A venda da justiça está esburacada, através desses orifícios vemos desmesurado custo da dama a quem Eça pediu a forte nudez da verdade, vemos juízes permeáveis e ávidos de dinheiro, espantamo-nos por Vale e Azevedo ter aguentado acções contra ele durante vinte anos até prescreverem. Pode ser corrupto, estúpido não. O universo da justiça é pachorrento, ruminante à maneira das vacas velhas a esmoerem o apetite em lameiros secos, chocalheira quanto os caretos galardoados pela UNESCO. O ministro do líteo acha-se discípulo de Torquemada, ou será de Savonarola? Esqueci-me dos estivadores, deles direi o que penso em próxima crónica. Remato escrevendo: que saudades tenho de Vasco Pulido Valente! Muitas e perenes.

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