A opinião de ...

O Governo do pós-desamor

Tomou posse no passado dia 26 de Outubro, entre as 11h00 e as 13h00, o XXII Governo Constitucional da III República Portuguesa (o regime em que vivemos desde 2 de Abril de 1976 *).
Bate o recorde da rapidez de tomada de posse de um Governo, depois das respectivas eleições.
Também bate o recorde do número de mulheres ministras, oito.
E bate ainda o recorde do número de membros do Governo (70), se considerarmos os secretários de Estado (50). Considerando só os ministros e as ministras, iguala o Governo do «bebé» Santana Lopes, em 2005 (19 ministros e Primeiro-Ministro). É talvez o maior Governo da União Europeia atual como se o país tivesse 90 milhões de habitantes.
Considerando que cada ministro e cada secretário de Estado pode ter pelo menos três assessores, pode elevar-se a um mínimo de 210 o número de pessoas dos gabinetes governativos.
É um exagero este número. Custa muito caro e cria enormes problemas de coordenação. Gerir uma reunião com dezanove ministros já será difícil. Geri-la com 50 secretários de Estado é quase impossível. A menos que alguém faça milagres.
Espanta-me o desperdício de conhecimento na escolha de alguns secretários de estado. São especialistas numa área mas vão gerir outra completamente diferente e da qual nada parece saberem. Alguns parece mesmo que estão ali só para passear e se arrumarem.
Comparado um Governo tão extenso com um programa de Governo tão limitado, gera-se um estado de angústia. Que é feito da promessa da regionalização? Que é feito da promessa da descentralização? Onde está o investimento na ferrovia? Onde estão as obras estruturantes do fecho da rodovia nacional? Onde estão as obras na saúde e na educação?
A bandeira maior é a subida do salário mínimo para 750 euros, para curar os amuos da geringonça? Oxalá a economia sustente a possibilidade desta subida.
E, sobre a habitação? Os mais pobres têm de fugir das cidades face à especulação dos preços das rendas e das casas e o que é que se faz para regular o ultraliberalismo dos preços?
Há dores de amor não correspondido na ex-«geringonça». O espectro de 1987 pode acontecer de novo. As dores de amor traído são as mais difíceis de suportar.

Nota:
*Não reúne consenso político ainda que o reúna academicamente esta afirmação. Por duas razões. Primeiro, regra geral, os analistas políticos à Esquerda dizem que o Estado Novo não foi uma República porque não se construiu nem com base na igualdade nem com base na proteção dos direitos humanos nem ainda com base no voto universal. Segundo, porque há autores à Esquerda que iniciam a República Democrática em 25 de Abril de 1974 e há autores ao Centro e à Direita que dizem que esta República só começou no Verão de 1982 com o fim da tutoria do MFA através do Conselho da Revolução, sobre os parti

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