A opinião de ...

Olhar a crise: mudar de vida

Este texto trata da descrição de dois aspectos do que será a crise provocada pela Covid-19, a tal pneumonia que pode conduzir à asfixia do sistema respiratório e da crise ambiental que já existe.
Não sabemos nem o número de vítimas mortais que a Covid-19 vai provocar nem o tempo que a infeção vai estar instalada e nem sequer sabemos o tempo que o vírus pode permanecer vivo e em que condições morre.
Porém, as crises económica e social, para Portugal, são fáceis de antecipar proporcionalmente ao tempo de duração da epidemia. Um mês de paragem da atividade económica, em Portugal, representa (€200.000.000.000 de PIB/12) o que dá como resultado 16,666 mil milhões/mês que, a uma média de 23,5% de impostos que o Estado arrecadou, de facto, em 2019, dá uma perda de receita, para as Finanças, de quatro mil milhões de euros por mês ou 2% do PIB.
Podemos ser optimistas e dizer que não, que só se vai perder metade da actividade económica (quem me dera). A perda de encaixe financeiro pelas Finanças ficaria então em dois mil milhões/mês, o que, multiplicado por 12 meses, daria 12% do PIB e deixaria a descoberto um montante equivalente ao do Orçamento da Segurança Social.
Mas a crise social pode ser bem pior: o desemprego poderá subir a níveis inimagináveis, de 20 a 25%; o consumo, por via dos 66% do vencimento pago pelo Estado reduzir-se-á em 33,33%; o sistema produtivo pode, na sua maioria, ficar paralisado; e o sistema de distribuição alimentar e de serviços pode não só falir como não ter que distribuir por ausência de produção. Sobrevirão a fome, a desordem social e a falta de segurança. Deus nos livre.
A crise ambiental que vivemos no Planeta, grande causadora deste e dos anteriores coronavírus acrescentará à crise que agora aí vem elementos de verdadeiro apocalipse. Esses elementos serão a produção massiva de vírus vários em consequência da extrema poluição das atividades industriais e económicas em geral, da degradação da composição química dos solos, das águas terrestres, dos rios, dos oceanos, do ar e do acumular de lixo a céu aberto. Os homens não se convencem de que são um elemento da natureza e de que não podem alterar a composição química desta. Deus deu-lhes um Éden e eles, desde 1848, não fizeram mais que destruí-lo.
O Livro do Génesis deu-nos a metáfora bíblica e mítica do Éden mas o nosso Planeta é que é o Éden. E o pecado é a mistura da adulteração da composição química da Terra e dos seus elementos com a produção de população em excesso. O Papa Francisco, em 2015, já disse que «Os Católicos não devem reproduzir-se como os coelhos», alterando assim a proclamação de «crescei e multiplicai-vos». No Século IX A.C., a gente era pouca. Agora, é demasiado de mais.
Se os homens não respeitarem o equilíbrio ecológico e não reduzirem a população, o Planeta arranjará formas de o fazer porque Deus não quer destruí-lo. É preciso mudar de vida.

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