A opinião de ...

Máscara? Obviamente, não! Talvez... Depende... Sim, claro!

A máscara a que me refiro e de que tanto se tem falado é uma superfície de TNT (Tecido Não tecido), de algodão ou outro produto com capacidade eficaz de filtragem. É usada para tapar a boca e o nariz e tem como função reter todos os micro-organismos especialmente os perigosos e contaminantes. Mas não são totalmente eficazes para nos proteger contra a infeção do coronavirus.
Porque a máscara não cobre os olhos uma das três entradas do vírus. Não há máscaras para os olhos e os óculos só são eficazes se totalmente aderentes à cara. Além disso as máscaras retêm o vírus na parte de fora. É fácil tocar lá com as mãos e estas facilmente entram em contacto com outras partes do corpo (ou objetos de uso comum) disseminando-o. Acresce que nem toda a gente sabe manipular a máscara adequadamente (que deve ser descartada após uso, ou lavada convenientemente se reutilizável). Estando (potencialmente) contaminada tem de obedecer a um rigoroso protocolo de colocação e retirada que é difícil de observar de forma meticulosa. Isso explica que haja tantos médicos, enfermeiros e assistentes de saúde contaminados. Ninguém melhor do que eles sabem usar os equipamentos de proteção! E, na sua maioria, usam não só a máscara, como óculos, viseiras e fatos apropriados!
Contudo, estes operacionais do sistema de saúde, quando tratam e operam doentes usam máscaras, luvas e óculos! Quer isto dizer que estão equipados deficientemente? Que não protegem adequadamente os fragilizados e expostos indivíduos que lhes são confiados? Não, de forma nenhuma!
Porque neste caso o que se pretende não é proteger os médicos e enfermeiros, das contaminações externas. Pelo contrário, o objetivo é impedir que qualquer destes profissionais possa transmitir um agente patogénico aos seus doentes porque este, mesmo sendo tolerável numa pessoa saudável, pode causar graves danos em alguém fragilizado e exposto. A mesma máscara que não garante imunidade às ameaças externas é, se bem usada, totalmente eficaz na sua contenção. Colocada sobre a boca e o nariz retém todos os microrganimos que apenas possam sair por vias aéreas, como é o caso do coronavirus. Ficam todos na parte interior da superfície protetora e, mesmo que se toque nela com as mãos, não há qualquer risco porque o contacto é pelo lado externo, absolutamente limpo. Basta descartá-la, com o devido cuidado.
O mesmo equipamento que apresenta muitas fragilidades para impedir que sejamos contaminados, é totalmente seguro para garantir que nós não contaminamos ninguém.
O vírus está, infelizmente, disseminado por várias superfícies e não só nos pulmões de cada um dos infetados. Mas foi aí que começou e é aí que se reproduz. No resto subsiste durante um tempo limitado.
Ora, se todas as pessoas infetadas usassem sempre máscara, desde o início, acabava-se a pandemia, ao fim de algum tempo.
O problema é que a infeção só se revela ao fim de vários dias (no mínimo uma semana, geralmente duas, podendo ser mais, ou mesmo nem se revelar, no caso dos infetados assintomáticos).
Sabemos bem que é impossível usar SEMPRE máscara. Não se pode comer com máscara, ao trocá-la há um período sem ela e seria nitidamente exagerado usá-la no recato familiar. Não se justifica tê-la quando sós ou em ambientes abertos, longe de outras pessoas e longe de objetos de uso comum. Também é conhecida a sua escassez no mercado e o seu uso indevido dificulta o acesso a quem delas mais precisa: médicos, enfermeiros, agentes da autoridade e demais agentes.
Mas o seu uso generalizado vai reduzir enormemente a taxa de contaminação, que é o pretendido. Por isso, logo que seja possível, deve-se usar máscara sempre que se esteja em ambiente partilhado ou com objetos de uso comum.

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