A opinião de ...

Pedido ao pai natal para 2026 – ou o esforço e empenho individuais

. Vamos começar um Novo Ano. Todos nós desejamos “Feliz Ano Novo”, com votos de felicidades a conhecidos e desconhecidos. Paramos diante dos montras apelativas, onde as luzes resplandecem, ouvimos as melopeias de Bach nas ruas engalanadas, adquirimos objetos que nos deliciam, convencidos da sua utilidade e conforto, sonhamos com viagens pelas praias do Caribe e Índico ou pelos safáris africanos. E o Pedrinho (nome do menino que António Gedeão utilizou no seu poema “Natal” –Poemas Escolhidos) espreita, embebecido, não o sapatinho junto do fogão, mas a árvore de Natal…e lá estão o jogo da star war e a metralhadora…tá, tá, tá, tá, tá…e aponta ao sisudo papá e ao gato fugidio. Afinal, não é isso que fazem os adultos?!
2. Bom, o que peço ao Pai Natal (é claro que eu preferiria que fosse ao Menino Jesus que ainda visita os meus sonhos de criança, mas isto é um caldo de culturas…) é muito simples:
a. Que me lembre de usar mais os meus ouvidos do que a minha boca; a minha mãe dizia-me: ouve mais do que fales.
b. Que me dê firmeza no meu andar; este conselho podemos colhê-lo de Jesus, Ghandi, Confúcio, Alá…mas também de pessoas com experiência, próximas: um velho da minha aldeia, um familiar, um amigo. Caindo, terei forças para reerguer-me.
c. Que me dê saúde; para tanto, seguir os conselhos dos médicos, e, mais do que isso, o esforço pessoal de tomar em linha de conta que a saúde começa em nós: prevenção se designa.
d. Que pouse em cada lar, deixando muita paz, amor e coragem para os homens; por certo, ouvindo a palavra serena de homens sábios, terrenos. Há-os, por aí?
e Que eu possa seguir aquela máxima que sintetiza tudo: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”, atribuída a Aristóteles, filósofo grego (384-322 a.C.) – um contributo para afastarmos a ‘banalização do mal’.
3. O conhecido autor espanhol – Juan Luis Arsuaga – na sua obra Vida, a grande história – uma viagem pelo labirinto da evolução (Temas e Debates, Círculo Leitores, p. 397) – afirma o seguinte: «Na nossa evolução recente, a que nos fez humanos, temos vivido e vivemos num conflito permanente. Por um lado, competimos dentro de cada grupo pela hierarquia (posição) com outros membros da comunidade – fazem-se e desfazem-se alianças durante todo o tempo: inimigos que ontem eram irreconciliáveis, unem-se de imediato contra um terceiro. Por outro lado, os grupos sempre competiram entre si, e, ferozmente, pelos recursos e pelo território». Leitores, não é o que se passa à nossa volta, quando observamos o interesse dos países e empresas poderosos, buscando, de forma ostensiva e à exaustão, nos países em vias de desenvolvimento, as suas riquezas naturais? Frequentemente, estes países, fragilizados, transformam-se em estados falhados. O problema é sempre económico, dominante, levando alguns países a assumirem posições ultranacionalistas, chauvinistas, conduzindo a conflitos violentos que a extrema direita, sem rodeios, aproveita.
Será que individualmente cada um de nós pode fazer algo?

Edição
4071

Assinaturas MDB