A opinião de ...

Da Emergência à Calamidade

Como estava mais ou menos previsto, depois de cumpridos três períodos sucessivos de estado de emergência, à semelhança do que se fazia antigamente aos meninos que se portavam bem, como se o COVID-19, por si só, não fosse já calamidade a mais, fomos agora premiados com o rebuçadinho do estado de calamidade.
Sem aparentes grandes alterações em relação à anterior situação imposta pelo estado de emergência, a partir do passado dia 4 do corrente mês de Maio, com a passagem para o estado de pandemia agora decretado, enquanto que ao governo são concedidos novos poderes, ficando quase de mãos livres para gerir o estado de calamidade da forma que melhor entender, à população em geral, em vez de se lho impor com força de lei, passou a aconselhar-se e, de certa forma, também a pedir-se mais coragem, mais força, lucidez e bom senso para ainda não baixar as armas perante um inimigo que ninguém sabe,(ou não quer dizer!) donde veio, quando, como e se acabará por ir embora. Ao mesmo tempo que deixa, exclusivamente, nas mãos de cada um a responsabilidade de se proteger a si próprio, também, e muito mais que por meras razões de solidariedade humana, são todos igualmente corresponsabilizados, moral e socialmente, pela proteção dos outros.
Consequências desta nova situação? Muitas e cada qual a mais importante.
Ao ficarmos sem a obrigação de cumprir as determinações, conselhos ou recomendações dimanadas das autoridades competentes, passamos a assumir em exclusivo toda a responsabilidade das nossas decisões, podendo ser questionados, moral e socialmente, por todas as consequências derivadas dos nossos atos.
Porque quase nada que se conhece do COVD_19 , não há vacinas para a prevenir nem medicamentos para a curar, olhando para o esforço ciclópico que está a ser pedido a todo o pessoal envolvido no tratamento dos doentes, aos avultadíssimos meios despendidos nos tratamentos e nas aquisições de equipamentos de proteção, materiais consumíveis e similares e, muito particularmente, considerando o enorme risco de, o mais pequeno descuido de qualquer um de nós, poder ser suficiente para o aparecimento de novas e mais e devastadoras vagas de infeções, reduzindo a cinzas o muito que já foi conseguido pelo sacrifício, pela entrega e dedicação, pelo trabalho e pelo empenhamento de quase todo o nosso povo, para não sermos responsáveis do que poderia transformar-se numa autêntica hecatombe, resta-nos apenas estar atentos a coisas tão simples como:
- Como até aqui, continuar a cumprir escrupulosamente todas as recomendações e orientações das autoridades competentes;
- Por incúria, distração, comodismo ou desleixo, nada fazer que possa por em risco a nossa saúde e a dos nossos semelhantes;
- Manter a coragem, a fé em Deus e a esperança de que melhores dias estão para chegar.

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