A opinião de ...

Médicos agredidos em serviço. Afinal, que faroeste é este, meus senhores?

Depois da autêntica anarquia em que se tornou, ou tornaram, a vida em muitas das nossas escolas, atendendo à inusitada frequência com que a área da saúde está a aparecer nas manchetes da comunicação social, quase sempre pelas piores razões, e à vaga de agressões perpetrada sobre os agentes de saúde no pleno exercício das suas funções, tudo leva a crer que essa turba de arruaceiros, sem vergonha nem dignidade, que por aí se movimenta em total impunidade, se mudou para a área da saúde, onde, cada vez com mais frequência, se estão registar agressões aos médicos e outros agentes de saúde no exercício das suas funções. É inegável que todas as profissões têm a sua margem de risco. Contudo, a selvajaria, repito selvajaria, de desrespeitar e agredir os profissionais da saúde nos seus postos de trabalho e no desempenho das suas importantes funções, numa atitude miserável e cobarde, praticada a coberto da privacidade duma enfermaria ou dum consultório médico, terá obrigatoriamente de ser classificada como crime público particularmente grave e, enquanto tal, punido sem desculpas nem contemplações.
Antes que a situação se transforme numa espécie de Faroeste à portuguesa, numa república das bananas ou numa casa sem rei nem roque, as autoridades competentes terão de agir, e agir já, em conformidade, sancionando estes díscolas sem dó nem piedade, indo tão longe quanto a lei o permita. E aqui não pode haver lugar para desculpas. Se as leis não servem, revoguem-se as leis e criem-se novas leis. Se os responsáveis pela sua aplicação não podem, não querem ou não sabem fazê-lo, saiam de cena e levem com eles a “classe dos políticos” dando aos “políticos com classe” a possibilidade de o fazerem.
Como é sabido, o Serviço Nacional de Saúde aproxima-se da rotura. Para evitar o risco muito sério de se tornar incontrolável, ou até mesmo de entrar em colapso total, porque o tempo para agir está a ficar muito muito curto, exige-se :
- Dos agentes da saúde, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares, a denúncia de todas as situações que desrespeitem a sua dignidade profissional e ponha em risco a sua segurança;
- Dos que foram mandatados pelo povo para gerir e governar o país, (tirando disso honra e proveito), que assumam as suas responsabilidades em toda a sua dimensão. Já ninguém aguenta mais a cara e o ar compungido de figuras de segunda ou terceira linha que, quais carpideiras pagas à hora ou à peça, aparecem na comunicação social para se declararem solidários com os agredidos, lamentar o sucedido e dizer que vai ser instaurado um rigoroso inquérito, (mais um!), condenado, como tantos outros, a ser arquivado sob o manto protector do mais farisaico dos despachos: “Arquive-se por falta de prova”.
Em tempo: Já se sabia que os governantes são pessoas muito ocupadas e não têm paletes de secretárias e assessores para os apoiarem mas, saber que nas recentes agressões perpetradas nos hospitais, e segundo declarações públicas duma das vítimas, a Ministra da Saúde estranha que não se entende e não tem perdão, não teve um minuto que fosse para enviar uma só palavra de solidariedade para esse médico barbaramente agredido no seu posto de trabalho.

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