A opinião de ...

Quem estiver limpo de culpa, que atire a primeira pedra

A primeira metade do corrente mês de maio foi invulgarmente rica de acontecimentos importantes, oriundos um pouco de todos os quadrantes, todos eles dignos duma atenta e cuidada reflecção. Contudo, perante a crueldade inqualificável e o sadismo com que foi morta a Valentina, uma menina de apenas nove anos, (ao que tudo indica, assassinada em casa pelo pai e pela madrasta), tudo o resto passou para segundo plano.
Estamos em presença dum crime hediondo, praticado com requintes da mais desumana selvajaria sobre a sua própria filha, uma criança amorosa e linda, vítima inocente, ilibada de qualquer culpa que, qual botão de rosa, foi brutalmente esmagada antes de desabrochar em toda a sua plenitude, na primavera de uma vida que tinha o direito sagrado e inalienável de viver e ser feliz. Perante tão repugnante ato de barbárie, tudo o resto que, noutro contexto, até poderia ter alguma importância, não passa de um desfilar inútil de vulgaridades banais e sem qualquer interesse.
Estamos perante a gravidade dum crime hediondo, cometido pelos pais que, depois de martirizarem a sua própria filha, a deixaram só entregue ao estertor duma lenta e terrífica agonia de mais de treze longas horas. Por isso, quando, como um qualquer animal ferido e abandonado na berma da estrada, morre uma criança inocente, sem a carícia de um último beijo nem o aconchego do colo da sua mãe, afogada em lágrimas de sofrimento e de dor, transida de medo e desesperada pela incapacidade de lutar sozinha pela sua própria vida, que interesse poderá ter para alguém saber se:
- Os ciganos são melhores ou piores portugueses que os aldeanos e os beltranos;
- Se se a grande concentração de gente prevista para setembro lá para o sul, vai ser um grandioso festival, uma grande festança ou uma simples festarola de compadres;
- Se a recente e lamentável dessincronização na atividade governativa foi culpa dum ministro abusador, de assessores incompetentes ou de um primeiro ministro distraído;
- Se, como, quando, para quê e com quem iremos à praia no próximo verão;
- Se o campeão do jogo da bola deste ano deve ser decidido na secretaria, etc. etc. etc.
Do que não resta a mínima dúvida, é que chegou a hora de parar para pensar, tentando dar resposta a perguntas como estas: PORQUE e PARA QUE MORREU A VALENTINA?.

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