A opinião de ...

Coronavírus, o mensageiro da guerra por procuração

Donald John Trump, Presidente dos EUA, quis «tornar a América grande, outra vez». Para isso, em finais de 2016, numa das suas estratégias mais arriscadas, quis mostrar à China que podia, unilateralmente, mudar as regras do comércio recíproco e, por ricochete, também as do comércio com a UE.
As retaliações da China não se fizeram esperar e Trump lá conseguiu um acordozito que não o envergonhasse muito perante os americanos. Os Europeus, como sempre, desde a II Guerra Mundial, nada fizeram.
Porém, os Chineses prepararam e esperaram o momento adequado para a retaliação. Sabiam que bastaria um clique do senhor Jimping e as economias americana e europeia apanhariam pneumonia mas prepararam a coisa ainda com maior cinismo, servindo-se, segundo DAVID FELIPE ARRANZ (https://www.youtube.com/watch?v=ofzMM9PuVKA), 10-03-20, em Distrito TV) de dois dos aliados principais dos EUA (França e Canadá) e de uma empresa com sede nos EUA, a farmacêutica Johnson&Johnson.
A guerra económica global iria começar, sem balas, sem mísseis, sem aviões, sem navios, sem soldados, sem obuses e sem bombas mas sim através de meios biológicos, os vírus, neste caso, o SARS-CoV, designado por Coronavírus, dando origem à doença identificada por Covid-19 que consiste numa pneumonia grave que mata as pessoas mais debilitadas por asfixia lenta, provocada pela falência progressiva da capacidade respiratória, tanto autónoma como induzida.
Intencionalmente (Arranz, ut supra) ou por acidente (António Barreto, https://www.publico.pt/2020/03/15/opiniao/opiniao/emergencia-razao-1907…), o vírus foi libertado e fez o seu caminho.
Para o fim em vista, seria sempre conveniente que o mal começasse na China (lá, tanto faz morrerem três mil como trinta milhões de pessoas, tal é o diminuto valor da vida humana individual). Depois, a globalização do trabalho, do conhecimento e da tecnologia levaria o vírus para todo o lado, nos aviões, nos comboios, nos autocarros, nos carros, nos restaurantes, nos hotéis, nos cafés, nas discotecas, nas ruas, nas embalagens, nas malas.
Atónitos e sem perceberem qual é a natureza e a composição do vírus, os países atingidos foram sofrendo as consequências dele, num misto de impreparação e de incapacidade de reação inicial. E quando reagiram, já a doença, o medo e a irracionalidade estavam instalados bem como a contaminação coletiva, cenário já ficcionado por Albert Camus em A Peste (1940).
Ironia das ironias, é a criatura que se rebela contra o criador. O sistema capitalista dos grandes grupos económicos, criador da globalização, julgava que dominava a criatura – a China – pela tecnologia e pelo conhecimento mas esqueceu-se de que o povo chinês leva, em média, 15 pontos de avanço no quociente intelectual pelas dificuldades que, ao longo da história, teve de resolver.
Ou seja, os presumidos fracos também vencem os fortes. Ajudados pela natureza do capitalismo, o «canibalismo económico-financeiro», isto é, as empresas devoram-se umas às outras no sistema de competição nacional e internacional, não se preocupando nada com o amo-Estado que servem porque o seu único amo é o dinheiro. Homo homini lupus (homem lobo do homen), escreveu Thomas Hobbes em Leviathan (1650).

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