A opinião de ...

Votos de Bom Ano Novo

«Enterrámos» anteontem o «ano velho». Exorcizámos os maus olhados com música, festa, dança, foguetes, canhotos e baile. Pusemos todas as esperanças no ANO NOVO. Olhar em frente é o melhor meio de renovar a esperança.
Este ANO NOVO é um ano de nome redondo: 2020. Há quem o leia como 20,20. Para ser um ano redondo, deveria trazer prosperidade e felicidade a todos mas todos sabemos que o voto de uma sociedade de iguais é utópico. Há muitas igualdades e, mesmo que construíssemos a igualdade financeira (dar o mesmo dinheiro a todos), restariam outras importantes, a saber: a económica, a cultural e a da influência no Poder de decidir.
Por ora estamos numa sociedade que vai construindo, aos poucos, a igualdade financeira. Estamos ainda muito longe dela mas pode ser a base de todas as outras igualdades se, com base nela, muitos se não afastarem dela por não saberem fazer render o dinheiro, por não quererem ou não saberem poupar e investi-lo, por não poderem ou não quererem trabalhar.
Mesmo que decretemos a igualdade, os seres humanos serão diferentes porque eles são diferentes entre si em função da predisposição para o trabalho e para a poupança e em função da sua instrução, cultura e religião.
A religião faz parte da cultura mas condiciona-a totalmente. Há religiões de violência e alienação (Islâmica), de submissão e despojamento (Cristã Católica) e de libertação e poupança (cristã protestante e cristã evangélica) e de solidariedade (a ética republicana dos que se dizem laicos). Os islâmicos consideram todos os outros infiéis e alvos a abater. Julgam o seu Deus superior aos de todos os demais e requerem que se devore qualquer outro Deus. Viver em tolerância com o Islão e com os islamitas é completamente impossível a não ser pela submissão. A paz entre católicos e protestantes foi possível pelo Tratado de Westfália (1648) pelo qual a religião deixou de ser assunto de Estado e público. Ao contrário, para os islamitas a religião é o Estado.
Colocadas as coisas assim, a principal fonte de desigualdade entre os seres humanos não é a raça mas sim a cultura e a religião.
A raça é um conceito ultrapassado porque a natureza dos seres humanos não se diferencia pela cor da pele, originada pelo clima. Tem-se substituído o conceito de raça pelo de cultura mas não são a mesma coisa. A raça será o conjunto de características biológicas, a cultura o conjunto de valores, saberes e práticas adquiridos pela educação, informal e formal.
Assim, o voto de uma sociedade multicultural não é um voto pelo convívio entre raças porque biologicamente estas são todas iguais ou não existem mas antes pelo convívio pacífico e tolerante entre elementos de diferentes culturas que só é possível se todas elas forem culturas de interação e de tolerância cultural e religiosa.

Que 2020 seja um bom ano para a igualdade e para a tolerância.

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3762