A opinião de ...

Capela de São Sebastião, Baçal. “Memórias Arquiológico-históricas …”.

Baçal, distante 8 km a Nordeste de Bragança, é sede de freguesia, constituída pelas aldeias de Sacoias e de Vale de Lamas. Estendida numa zona planáltica e de férteis terrenos agrícolas, banhada pelas águas do rio Igrejas e a ribeira de Baçal, encontram-se vestígios de povoamento desde a Idade do Ferro, onde existiu um castro dimensionado, e uma atalaia medieval no monte de Urzedo, contituinte do sistema defensivo exterior de Bragança.
Documentos de 1243, dão nota que Pelágio Lopo e sua esposa venderam a povoação de Baçal a D. Viviano, abade do Mosteiro de San Martín de Castañeda, na Puebla de Sanábria. De acordo com as Inquirições de 1258, a paróquia de «Sancti Romani de Basar» constituía-se como honra e posse dos filhos de Fernando Arias, Martim Sanches e Lopo Rodrigues. Em 1290, as Inquirições de D. Dinis confirmam que Baçal não é foreira do rei e a Igreja de São Romão pertence a particulares. Depois, a partir do século XV, Baçal é Casa de Bragança e o pároco apresentado pelo prior de Santa Maria. Em 1641, no contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), forças militares espanholas, na tentativa, infrutífera, de cercar e tomar Bragança, entraram em Baçal, aproveitaram-se do «rico e grande celeiro» e deitaram fogo à aldeia antes de a abandonaram. O mesmo aconteceu logo no início do século XVIII, com a eclosão da Guerra da Sucessão de Espanha (1703-1713), e nova conflitualidade entre Portugal e o país vizinho. O marquês de Caylos pôs sítio a Bragança, entre a 4 e 14 de Agosto de 1710, com dois mil cavalos e cinco mil infantes, onde acampou. Durante esse período, as tropas espanholas usufruíram de alojamento, bens e comida. Quando retiraram, a localidade ficou danificada, os habitantes na penúria, os bens exauridos e os campos talados. Com danos inevitáveis para a Igreja Matriz de São Romão, reedificada só a partir do último quartel do século XVIII.
Em Baçal existe ainda a Capela de São Sebastião, no exterior da povoação, de construção seiscentista. Isolada e sobranceira a um caminho que lhe permite acesso, é de dois corpos, referentes à nave e ao presbitério, rebocada e pintada de branco e cobertura telhada de duas águas, com Cruz latina nos dois vértices. Os cunhais frontrais e posteriores são encimados por pináculos com bola. A fachada principal, voltada a Sul, termina em empena, truncada por campário de sineira única, em arco de volta perfeita. O portal é de dintel recto e jambas de pé direito. No alçado direito, existe porta de acesso e duas janelas de capialço. Os alçados laterais estão robustecidos por contrafortes. A ala posterior é cega e termina em empena. O interior da nave, de chão em mosaico e teto em madeira em forma de berço, contém dois arcos sobre imposta: um a dividir a nave; o arco triunfal a separá-la do presbitério. Feitos de pedra e argamassa, acompanham a geometria da cobertura. Existem duas pias de água benta junto da porta lateral, uma assente em pilastra e a outra, com espaldar, adossada à parede. Junto à parede fundeira, constatámos um antigo ambão em madeira, cromado e data de 1857.
O presbitério, mais estreiro que a nave e sobrelevado por supedâneo de cantaria, tem teto em madeira, formato masseira, assente em cornija ‘fasciculada’, também de madeira. A mesa de celebrações, dissociada do retábulo, é em forma de urna, policromada e vegetalismos dourados no frontal. O retábulo, encostado à azulada parede testeira, com arcaz a prologangar o sotabanco, é de três eixos, em talha policromada e exuberante decoração floreada. O nicho central, de moldura recortada e arco de volta perfeita, coroado por coração vermelho e intradorso moldurado, acolhe o Orago S. Sebastião. Atado a um poste, elmo de soldado aos pés e as feridas do martírio. Nos eixos laterais, entre colunas caneladas e pilastras molduradas, constam o beneditino Santo Amaro e o ‘mártir da Viola’ S. Gens.
Trata-se de altar recuperado, que resultou numa vivacidade de cores e de ornatos que procura aproximação ao estilo rocaille, bem visível na especificidade do ático

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4030

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