Nordeste Transmontano

Covid-19: Apanha da azeitona é responsável por vários surtos no distrito, Bombeiros de Bragança e PSP também têm casos positivos

Publicado por Fernando Pires/António G. Rodrigues/Francisco Pinto em Sex, 2020-12-04 23:51

Dia com 76 pacientes recuperados e 54 novos casos nas últimas 24 horas.

Hoje foi o quinto dia consecutivo com mais recuperados do que novos casos de infeção no distrito de Bragança. O concelho de Mirandela registou 6 casos positivos - ligados a cadeias de transmissão em contexto familiar- mas viu recuperar 19 pacientes, enquanto em Bragança há duas situações que preocupam particularmente as autoridades.
Uma relacionada com um contexto de formação prática, que se tem realizado na aldeia de Milhão, e outra relativa à apanha da azeitona, que tem provocado vários casos.

Aliás, a apanha da azeitona tem sido responsável por vários surtos em vários concelhos do distrito de Bragança.

Por isso, as autoridades de saúde reforçam os apelos quanto às medidas de segurança, numa época em que, por tradição, se realizam vários ajuntamentos no mundo rural, como nas matanças, por exemplo.

Para já, há ainda notícia de quatro agentes da PSP infetados, em Bragança, e três elementos dos bombeiros voluntários de Bragança, confirmou fonte da corporação ao Mensageiro.

Os contactos diretos destes elementos já foram testados, todos negativos, pelo que já tiveram autorização para regressar ao trabalho, que tem sido feito “sem constrangimentos”.

Dois dos elementos integravam a mesma equipa, que presta apoio ao aeródromo de Bragança, enquanto o terceiro elemento é de um dos grupos de intervenção permanente.

De acordo com a mesma fonte, o contágio terá sido feito em contexto familiar.
No início da próximo semana, mais elementos irão fazer o teste.

Também no lar de S. Pedro continuam a surgir mais casos positivos.

Mas estes são apenas alguns dos indicadores do mais recente boletim das autoridades de saúde relativo ao ponto de situação da pandemia, até meio da tarde desta sexta-feira.

Nas últimas 24 horas, há o registo de 54 novos casos de infeção do Sars-Cov-2, e 76 pessoas dadas como curadas, com os concelhos de Mirandela e de Freixo de Espada à Cinta a registarem a maior descida de casos ainda ativos, ambos têm agora menos 13.

Na lista dos concelhos com menos casos ativos, face ao dia de ontem, estão ainda Macedo de Cavaleiros, com menos 3, e Bragança e Miranda do Douro com menos 1.

No sentido inverso, com um aumento de casos ativos do novo coronavírus, estão os concelhos de Vinhais, com mais 4 casos, Torre de Moncorvo com mais 3 e Alfândega da Fé e Vila Flor com mais um caso ativo. Mogadouro, Carrazeda de Ansiães e Vimioso não tiveram qualquer alteração nas últimas 24 horas.

Contas feitas, em nove meses de pandemia, o distrito já teve 3698 casos confirmados. Recuperaram 2818 (76,2%). Há a lamentar 71 óbitos (1,9%) e restam ainda com a doença ativa 809 pacientes (21,9%).

Número total de casos ainda ativos por concelho:
BRAGANÇA 275
MIRANDELA 123
MACEDO 105
MIRANDA 82
MONCORVO 58
FREIXO 45
ALFÂNDEGA 40
VIMIOSO 30
MOGADOURO 23
VINHAIS 19
VILA FLOR 7
CARRAZEDA 2

No entanto, já ocorreu mais um óbito pois, esta sexta-feira, a direção da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela confirmou mais uma morte associada à Covid-19 no lar "Bom Samaritano/Hospitel" gerida por aquela instituição, de uma utente de 84 anos que estava internada no hospital local.

É já a oitava morte de utentes daquele lar que tinham testado positivo ao longo das últimas semanas e que chegou a ter um total de 67 pessoas infetadas, entre utentes e funcionárias.

Atualmente, há ainda 18 utentes por recuperar.

Ao dia de hoje, as autoridades de saúde do distrito de Bragança têm o registo de 809 casos ativos do novo coronavírus, espalhados pelos 12 concelhos.

Nos hospitais de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela estão internados 57 doentes (7%) com Covid-19 - 46 em enfermaria e 11 em cuidados intensivos - o que faz com que as camas desta última unidade (Mirandela) estejam quase lotadas.

A informação foi confirmada, hoje, pela Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE), que na quarta-feira revelara ao Mensageiro que as 13 camas daquela unidade estavam ocupadas.

No distrito, apenas o hospital de Bragança tem Serviço de Medicina Intensiva, dispondo de 13 camas, sendo que, neste momento, há apenas duas livres.

Ainda assim, a ULSNE admite que "há doentes que podem ser transferidos para outras partes do país, da mesma forma que já os recebeu".

Em comunicado, foi ainda confirmado que "estão já em curso as obras de ampliação do Serviço de Medicina Intensiva, numa extensão da área já existente, passando este a dispor, a curto prazo, de mais oito camas".

Este investimento, orçado num milhão e 200 mil euros, dos quais 980 mil financiados, permitirá à ULSNE "estar preparada para uma melhor resposta à situação da COVID-19 e estar dotada de uma capacidade acrescida ao nível da prestação de cuidados intensivos e intermédios".

Diga-se que cerca de 93% dos pacientes que estão infetados pelo Sars-Cov-2 estão a recuperar em isolamento nos respetivos domicílios.