A opinião de ...

Ervedosa e a Feira dos Produtos da Terra

Pelo segundo ano consecutivo, a convite do meu insigne amigo Franklim do Nascimento, tive o grato privilégio de estar presente, no último domingo do mês de Junho, naquele que considero ser, pela sua singularidade, um dos eventos populares mais bem concebidos de norte a sul do país, a Feira dos Produtos da Terra, em Ervedosa, concelho de Vinhais.
Embora, neste tipo de situações, possa parecer injusta a pessoalização (porquanto este género de “obras” só são possíveis pelo esforço abnegado e desprendido de muitos, nos bastidores), a verdade é que a alma deste “projecto” é o Franklim, o presidente da junta de freguesia; uma figura que, pela sua capacidade de trabalho, pela competência e pelo dinamismo que põe em tudo que faz por Ervedosa e pelo concelho, nos leva a pensar se não será injusta a lei que impõe a limitação de mandatos para o exercício de funções de presidente da câmara ou de junta. Sim, porque em todas as aldeias, vilas e cidades deste país havia de existir um Franklim.
A particularidade deste evento, que o torna delicioso, reside na perfeita harmonia entre o motivo propriamente dito, a venda e divulgação dos produtos da terra, e a animação musical, que se manifesta através de um registo iminentemente popular. E esta faceta incomum de inserir no programa musical apenas ranchos folclóricos, oriundos do nosso distrito e da zona do Minho, prova que para atrair o povo não é preciso contratar nem os “tonys” nem as “micaelas”, com as respectivas bailarinas.
Nesta feira tudo é pensado ao pormenor. Dois exemplos que não pude deixar de registar: sendo um evento que se realiza ao ar livre, e porque o calor abrasador, próprio desta altura do ano, poderia impedir a visita dos forasteiros e a participação dos expositores, a junta de freguesia, com a preciosa ajuda do município vinhaense, teve a fantástica ideia de colocar uma enorme cobertura de lona em todo o recinto da feira.
Não menos notável foi a pontualidade britânica com que o programa foi cumprido, desde os discursos protocolares das entidades oficiais, ao majestoso almoço (vitela e javali) servido, a preceito, a mais de 600 comensais, sentados. Aqui, o “profissionalismo” foi a nota dominante. Todos foram servidos sem qualquer falha ou constrangimento, o que seria normal nestas circunstâncias.
Fiquei verdadeiramente impressionado e rendido aos encantos da lindíssima terra das ervideiras. Vale a pena visitá-la, neste e noutros contextos, porque os motivos de atracção são mais do que muitos.

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