A opinião de ...

CHEGOU O NOVO MÊS DE AGOSTO DO NOSSO (DES)CONTENTAMENTO

Embora este ano num contexto diferente, eis-nos de novo a viver mais um nosso muito “querido mês de Agosto”, durante o qual os muitos dos transmontanos emigrados, regressam ao seu torrão natal para gozar as ansiadas e merecidas férias de Verão. Como nunca, neste terrível 2020, e pelas razões por todos bem conhecidas, há muito tempo que contávamos os dias, as horas e até os minutos que iam faltando para o regresso a casa de todos os que nos são queridos e, à medida que se aproximavam os dias da chegada, os corações batiam cada vez mais apressados, e as saudades apertavam cada vez mais. A vida parecia parada no tempo, e nunca mais chegava a hora do reencontro, dos abraços calorosos e bem apertados e dos beijos de muito amor e carinho, que nos tirassem desta ansiedade e fizessem esquecer os infindáveis onze longos meses decorridos depois do mês de agosto do ano passado. Felizmente para todos, esse dia acabou por chegar.
Condicionados pela nova realidade criada pela pandemia do COVID-19, os nossos sinceros votos de um bom regresso a casa para todos os que decidiram regressar e de tudo o que de melhor há no mundo para os que preferiram não arriscar, na esperança de que, querendo Deus, brevemente voltemos a encontrar-nos.
Esta situação criada por este novo vírus, e não há como esconde-lo, é muito complicada, muito difícil e não é para brincadeiras, mas ainda não é o fim do mundo. Para a combater com sucesso, é indispensável cumprir rigorosamente as recomendações das entidades competentes, protegermo-nos uns dos/aos outros, até que a ciência descubra a vacina para a evitar e os remédios para a curar o que, convenhamos, poderá demorar ainda alguns meses mas, até que tal aconteça , o mundo não pode parar. Sem correr riscos desnecessários e tomando as necessárias cautelas, (coisas tão simples e importantes como usar a máscara, evitar os ajuntamentos, guardar o distanciamento de dois metros entre pessoas e lavar convenientemente as mãos), a vida é para continuar a ser vivida em toda a sua plenitude, disfrutando de tudo o que ela tem de bom, e ser felizes. Prescindindo de coisas banais e menos urgentes, sem as correrias inúteis e perigosas, teremos mais tempo para refletir sobre as dificuldades e os grandes valores desta vida, estar com as nossas famílias, fazer o que, por falta de tempo, nunca conseguimos fazer, descobrir muitas das fantásticas maravilhas da nossa terra, pela manhazinha, admirar o deslumbramento do nascer do sol e, ao fim do dia, a magia encantadora do ocaso por detrás da beleza impar das nossas serras.
Porque depois, se Deus quiser, muitos e melhores dias virão, então, com saúde e com toda a alegria e liberdade deste mundo, poderemos de novo gozar as nossas férias como sempre fizemos, frequentar com total segurança, todas as nossas feiras festas e romarias, saborear nos melhores restaurantes a incomparável posta à mirandesa, experimentar as mil e uma receitas de bacalhau, comer o bom presunto e o melhor salpicão, deliciar-nos com as nossas incomparáveis alheiras e, se for houver possibilidade, comer um grande e saboroso cozido à transmontana reforçado com o butelo com cascas, e tudo isto muito bem acamado com um grande tinto da região.

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