A opinião de ...

“Ande o Verão por onde andar pelo S. João cá vem parar”

O verão astronómico está prestes a arrancar, começa amanhã, dia 21 de junho e dura até ao próximo dia 23 de setembro, registaremos assim o máximo solar anual, o pico da duração dos dias com cerca de 14 horas de luz solar, dias que em breve começarão a diminuir, mas só o notaremos sensivelmente na próxima semana.
Nem sempre o estado do tempo acompanha o calendário das estações do ano, aliás parece que cada vez menos tal acontece, vemos como, insistentemente, nos últimos anos temos uma grande “confusão” meteorológica, com invernos tímidos, primaveras disfarçadas de inverno, verões que se estendem até novembro, os modelos meteorológicos têm dificuldade em adaptar-se a este novo padrão caótico e os meteorologistas veêm agora o seu trabalho mais dificultado do que em qualquer outro período.
Apesar de estarmos em junho e os modelos, obviamente, terem isso em conta, previam uma subida notável das temperaturas para valores em linha com o habitual para este período nesta semana, mas tal não aconteceu. Houve uma subida mas ainda assim insuficiente para podermos falar em normalidade para este mês, mas o que se está a passar? Porque a Europa está com temperaturas record em alguns países e na nossa região com condições atmosféricas que mais parecem de Abril?
A resposta está numa corrente de ar situada entre a 7 a 12 km de altitude a que os ingleses chamam de “Jet Stream”, a corrente de jato polar, encontra-se a latitudes muito mais baixas que o habitual, neste momento devia estar posicionada muito mais a norte, o que impede que as altas pressões se consigam impor e assim mantém-se o tempo fresco, com uma circulação de ar de oeste vincada, oceânica e húmida, ocasionalmente com precipitação como a ocorrida na terça e quarta-feira, uma bênção para as florestas e um pesadelo para quem teve e tem férias marcadas para este período.
Nos próximos dias, embora com muita incerteza e com os dados atuais, deveremos continuar com a mesma tónica dominante: noites e manhãs frescas. As mínimas devem variar entre os 9 e os 13ºC e as máximas entre os 24 e os 28ºC em Bragança. A partir de domingo, dia 23, a atmosfera poderá de novo destabilizar-se podendo regressar a precipitação e alguma trovoada à região, situação a confirmar nos próximos dias, contudo parece claro que até ao final do mês e a cumprirem-se os prognósticos, não haverá nenhum episódio de calor significativo.
Poderão acompanhar diariamente as atualizações de toda a informação na página de Facebook e Twitter do Meteo Trás-os-Montes.

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