A opinião de ...

Obras na Igreja [19] Altares e, a disposição das imagens.

Entrando pela porta principal da igreja matriz da paróquia, subindo pela nave central, à direita está o altar do Senhor Santo Cristo, um grande crucifixo encaixado na talha. Por vezes, neste retábulo, ou num altar próximo, estão esculpidas na madeira, ou pintadas sobre a tela, as almas do purgatório. À esquerda o altar da Senhora do Rosário, a única imagem da Virgem Maria nas igrejas, antigamente.
Já no presbitério está o altar-mor, com a tribuna eucarística, geralmente com três degraus, sem imagens, destinada à exposição solene do Santíssimo Sacramento. Em frente ao primeiro degrau da tribuna está o sacrário e, na base desta peça a urna do altar onde o sacerdote celebrava de costas para o povo. Por cima do sacrário está um crucifixo móvel a presidir à celebração da Missa, que se retirava para a exposição do Santíssimo. Retirava-se a Imagem para dar lugar à Realidade. À direita deste crucifixo está sempre o orago, o padroeiro, o titular da igreja, ou capela. À esquerda está outro Santo da maior devoção, ou da cultura do local: São Sebastião [em tempos de fome, a peste e, a guerra], Santo Estevão [festa dos rapazes e, a refeição comunitária] e, Santo António, creio que por ser um Santo Português e, das festas populares.
Com o [AO] Apostolado de Oração [03/12/1844], agora Rede Mundial da Oração do Papa e, com a ampla divulgação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, nos finais do século XIX, esta imagem entrou em todas as igrejas, alterando a configuração tradicional [um altar principal, dois altares laterais], umas vezes melhor, outras pior. Em muitas paróquias adquiriu-se um novo retábulo, para expor a imagem do Coração de Jesus, que tanto ficava do lado direito, como do esquerdo, conforme o arrumo que a igreja permitia. As aparições de N.ª S.ª em Fátima [1917] levaram também as igrejas a adquirir a imagem da Virgem da Cova de Iria. Mais um arranjo, mais uma adaptação, mais um altar, nuns sítios adaptado com critério, noutros sem critério nenhum. As imagens do Coração de Jesus, como as de Nossa Senhora de Fátima alteraram definitivamente o esquema tradicional rígido e, interferiram na harmonia do espaço celebrativo.
Hoje é o devocionismo mal orientado que invade as nossas igrejas, com imagens sem arte, em terra cota, em matéria plástica, imagens pequenas, de mau gosto, vulgarmente reproduzidas na China. Também aqui os fiéis tem de ser formados, pois as igrejas não são depósitos de quinquilharia. Se a tradição eclesial exigia a aprovação do Bispo para a colocação de imagens novas, ou antigas, nas igrejas porque é que hoje se há-de fazer diferente? Porquê colocar em qualquer lugar da igreja, sem critério algum, a imagem que nos apetece, do material mais barato e, do gosto mais duvidoso? A Conferência Episcopal Portuguesa responsabiliza as igrejas locais, pois elas tem o dever de serem promotoras de arte, abrindo-se ao diálogo com os artistas, escutando-os e pedindo-lhes para não descurar as marcas de verdade, da pureza, da paz e da transcendência que hão-de caracterizar as obras de arte sacra

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