A opinião de ...

O filtro

A informação nunca esteve tão disponível à população em geral como agora e esse é o seu principal inimigo. Não por uma qualquer tendência de controlo obcecante mas, simplesmente, porque com tanta informação disponível, torna-se virtualmente impossível distinguir a informação que realmente importa a cada um e ter capacidade de assimilar os conteúdos necessários a cada indivíduo.
Com a massificação de conteúdos na internet, as pessoas tornam-se reféns dos motores de busca e dos seus algoritmos.
Em termos mais jornalísticos, os hábitos de consumo de informação também se foram alterando, com as novas gerações a optarem pela contemplação, limitando-se, em muitos casos, à informação que recebem nos seus ‘feeds’, seja do ‘facebook’ seja do ‘instagram’.
A capacidade de distinguir o bem do mal, o real do imaginário, a verdade da mentira, vai ficando, assim, cada vez mais comprometido, pela ausência de capacidade crítica e pela falta de um filtro que ajude a distinguir o relevante do acessório.
É por isso que muitos consideram que o papel da Comunicação Social é cada vez mais importante, precisamente com essa função de filtro.
A Associação de Imprensa de Inspiração Cristã é um desses agentes. Por acreditar nesse papel, ontem, a propósito da comemoração dos 25 anos de existência desta associação, que representa cerca de 170 títulos, entregou ao Papa Francisco, em mãos, uma carta de compromisso.
“A AIC compromete-se a promover, junto dos seus associados, o esforço de procurar ajudar os seus leitores a distinguir o bem do mal, através da busca e identificação de fontes credíveis, da contextualização da realidade e interpretação correta dos factos do dia a dia, ajudando a combater as “fake news” que intoxicam a sociedade.
Acima de tudo, a AIC reafirma o seu compromisso junto dos seus 170 títulos associados em dar voz aos mais desprotegidos e a chamar a atenção dos decisores para as periferias”, lê-se no documento.
Numa altura de crescentes influências externas através da difusão de fake news (estudos recentes apontam mesmo para a entrada de Portugal na órbita de redes estrangeira de manipulação de resultados eleitorais) , a AIC dá um sinal de acreditar no futuro do setor. Um setor que vai ter uma influência determinante na forma de agirmos em sociedade.

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3755