A opinião de ...

A desertificação em massa de Trás-os-Montes começou com o fecho das linhas férreas de via reduzida

Sem pretendermos defender o antigo regime, pois, decerto modo vivíamos com medo do fantasma político que Oliveira Salazar tinha de ser contra os que o opusessem.
No entanto, no meio de tudo isto, os anos difíceis da 2ª Guerra Mundial e o pós-guerra foram de muitos sacrifícios para os portugueses. Mas os portugueses não foram à guerra graças à habilidade política de Salazar. Na área dos transportes a disseminação de meios ferroviários como a linha do Douro, Corgo, Tâmega e Sabor, as quais ligavam as povoações mais recônditas da Província mas tendo uma população minoritária que estava dependente do comboio para irem a Vila Real e outras localidades para as suas necessidades diárias.
Com o fecho da linha do Corgo ainda funcionou alguns anos no ramal Régua-Vila Real e Régua mas acabou por ficar abandonada apesar de ligar locais turísticos como Pedras-Salgadas, Vidago e outras localidades até Chaves.
A linha do Tua foi fechada sem qualquer motivo válido para ser construída mais uma barragem que não era necessária. O comboio deixou de ir até Bragança, pese embora a pressão dos autarcas de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e principalmente de Bragança (um autêntico transmontano).
E foi assim que acabaram as linhas férreas, aparecendo as autoestradas fora dos itinerários daquelas, cavando ainda mais a solidão das populações residentes obrigando-as a ir a pé até à próxima paragem de autocarro, quando o há, ou então de táxi.
A desertificação e o isolamento das povoações, continua sem parar.
Com a chegada do covid é ver saírem para o cemitério os idosos pela pandemia mas também pelo isolamento e solidão a que foram votados.
Finalmente desejamos a todos aqueles que estão sozinhos um Natal com saúde pois Deus Nosso Senhor do Calvário há-de zelar por vós. Bem hajam.

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