Torre de Moncorvo

Cerca de 200 funcionários dos lares de Moncorvo apreensivos com falta de fiabilidade dos testes comprados pela autarquia

Publicado por António G. Rodrigues/Fernando Pires em Dom, 2020-04-05 17:15

Cerca de 200 funcionários de diversas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho de Torre de Moncorvo estão apreensivos com a falta de fiabilidade dos cerca de 400 testes de sangue comprados pela autarquia ao laboratório Avelab, de Aveiro.

Ao Mensageiro, e sob anonimato devido ao receio de represálias, alguns deles dizem que os funcionários estão “preocupados” depois dos 14 casos positivos registados sábado na Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia moncorvense.

Estes resultados positivos resultaram da análise feita pelos técnicos da Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULS), com o recurso a zaragatoas (uma espécie de cotonetes mais compridos) para a recolha.

No entanto, só foram testados funcionários e utentes que tinham estado em contacto com um outro paciente infetado.
Os restantes funcionários da Santa Casa (cerca de 80), que inclui o lar da Lousa, o Centro de Dia de Moncorvo e a UCC, mais os da Fundação Francisco António Meireles, dos lares do Peredo dos Castelhanos, Felgar e Mós e os Centros Sociais Paroquiais de Felgueiras, Carviçais, Larinho e Cardanha, estão apreensivos.

“Nada nos garante que não estamos infetados. Os testes que efetuámos, de sangue, não nos dão garantia. Por um lado, estranhamos ainda não termos recebido os resultados apesar de já termos feito o teste na quarta-feira. Por outro, não temos confiança nestes resultados”, dizem.

Estes testes, fornecidos pelo Avelab, são sorológicos e, segundo fonte das autoridades de saúde locais, servem apenas para testar “a imunidade dos indivíduos”. Isto é, sinalizam a presença de anticorpos na pessoa testada, algo que só surge na sequência da infeção. Seriam ideais para saber, mais tarde, se a população já teria desenvolvido imunidade ou não ao vírus. Porém, são “inúteis” para determinar se uma determinada pessoa é, ou não, portadora do vírus atualmente, no momento de desenvolvimento da doença.

Recorde-se que a autarquia moncorvense comprou 400 destes testes para aplicar nas instituições do concelho. “Demos o pontapé de saída porque entendemos que devemos ser ativos e não reativos", frisou, na sexta-feira, o presidente da Câmara, Nuno Gonçalves, ao Mensageiro, ressalvando "que o Serviço Nacional de Saúde tem a sua capacidade e, provavelmente, não se viraria para o território".