Mais de 1,7 milhões de euros para estudar formas de envelhecer com saúde na fronteira
A Escola Superior de Saúde de Bragança (ESS) está envolvida na execução do Iberlongevas, um projeto pioneiro que procura promover o envelhecimento saudável através da prevenção e da educação, como ferramentas fundamentais para uma longevidade plena.
“Visa identificar dentro dos padrões e dos perfis de envelhecimento da população desvios do que é a normalidade para definir hábitos de prevenção. Foca-se muito na qualidade de vida, no bem envelhecer e na longevidade, com qualidade”, explicou Hélder Fernandes, investigador da Escola Superior de Saúde, uma das entidades envolvidas, à margem da apresentação do projeto na passada quinta-feira, 18 de dezembro, no auditório Paulo Quintela, em Bragança. O projeto, que conta com a colaboração de universidades portuguesas e espanholas, tem garantido um financiamento ao abrigo do Programa de Cooperação Interreg Espanha - Portugal (POCTEP) 2021-2027, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) no valor de 1.734.759,52 euros.
O objetivo passa por estudar a fragilidade da população com mais de 60 anos. “Queremos capacitar as pessoas de forma preventiva, para que possam viver com boa qualidade independentemente da idade”, acrescentou o investigador.
Esta iniciativa transfronteiriça envolve a Universidade de Salamanca, a Universidade de Vigo e o Instituto Politécnico de Bragança, com o objetivo de sensibilizar e formar a população em hábitos que favoreçam o envelhecimento pleno e ativo, contribuindo ao mesmo tempo para gerar conhecimento científico sobre a fragilidade, canalizando-o para a prevenção, ajudando também a reduzir a pressão sobre os sistemas de saúde pública.
As instituições envolvidas fazem parte da equipa de trabalho que pretende obter pela primeira vez uma radiografia da fragilidade nas populações urbanas e rurais destes territórios, nomeadamente Bragança, Zamora e Ourense. Os dados obtidos serão utilizados para educar e promover práticas de vida saudáveis na região transfronteiriça entre Espanha e Portugal, uma vez que o IBERLONGEVA centrará os seus esforços na investigação aplicada, analisando os hábitos de vida e desenvolvendo estratégias inovadoras, identificadas através de análises baseadas em inteligência artificial, para integrar, interpretar e otimizar os dados de saúde relacionados com o envelhecimento.
A Câmara de Bragança tem interesse neste projeto. “Temos um concelho com uma população acima 60 anos considerável, dispersa pelo território, com muitas freguesias rurais”, explicou Isabel Ferreira, autarca brigantina destacado que o município está a apoiar o desenvolvimento de ações ligadas à silver economy nomeadamente com vista à criação de empresas.
A primeira fase do Iberlongevas vai fazer o levantamento de dados junto da população para recolher dados sociodemográficos, qualidade de vida, saúde, apoio social, entre outros, para atingir uma amostra de mil pessoas, “perceber como podemos prevenir o envelhecimento”, afirmou Hélder Fernandes.
A ideia é a avançar com uma amostra de mil pessoas para iniciar os estudos.
