A opinião de ...

Ministros e Secretários de Estado

Antes do 25 de Abril os pícaros citadinos alfacinhas funcionários do Palácio Foz quando falavam de Trás-os-Montes diziam ser território exportador de ministros, criadas de servir e polícias – GF, GNR, PIDE e PSP – enunciando por um lado a qualidade intelectual e capacidade de decisão dos ministros, por outro a pobreza das gentes transmontanas que as obrigava a remeter as filhas e os filhos para Lisboa na procura de pão branco e sapatos para calçarem no dia da festa na aldeia caso viessem frui-la.
Os mangas-de-alpaca burocratas escrevinhadores de propostas de atribuição de penduricalhos e comendas, quase em exclusivo para portugueses criadores de riqueza no Brasil, não sabiam quão grande era a presença de trasmontanos nas fileiras das Forças Armadas que mais se acentuou a partir da eclosão da Guerra colonial, por isso a sua visão da Província de além Marão, no tocante às pessoas se confinava aos três grupos, o primeiro objecto de porfiada escolha, os outros dois, conforme os conhecimentos dos carentes. As criadas de servir constituíam mão-de-obra barata, trabalhadora, inocente, e a maioria dotada de grande honestidade. Os polícias ganhavam mal, aspiravam a regressar ao seu rincão natal, já os ministros depressa se aclimatavam ao clima da capital.

Os jornais concederam destaque ao facto de cinco secretários de Estado do governo empossado no dia 26 deste mês serem oriundos do Distrito de Bragança, merece relevo, no entanto, se tivessem consultado o arquivo deste jornal verificavam não ser novidade, na época do Estado Novo aconteceu o mesmo, porém a nível de ministros. As circunstâncias eram outras, escolhas faziam-se não na base do aparelho plural, porque só existia a União Nacional, sim na confluência do conhecimento pessoal, do currículo profissional, além das informações políticas e policiais. Esta confluência era a regra, todavia aparecia a excepção, o Professor Doutor Adriano Moreira, nosso conterrâneo constituiu a excepção. Façam o favor de averiguar.

É amplo o ramalhete de Ministros provindos do Reino Maravilhoso. Anoto os mais sonantes que fizeram governança em separado ou simultaneamente: Águedo de Oliveira, Cavaleiro de Ferreira, Joaquim Trigo de Negreiros, Fernando Mendonça de Quintanilha Dias e Manuel Gomes de Araújo. Agora, aos novos Secretários de Estado pede-se sábio empenhamento no destaque das virtudes do terrunho que os viu nascer sem propaganda bacoca, sem chauvinismos, sem bairrismos, sem raivosas ciumeiras.

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