A opinião de ...

Os efeitos que não se veem

Enquanto a vacina chega e não chega, não folgam as costas.
As recontagens que as autoridades de saúde do distrito de Bragança têm feito nas duas últimas semanas mostram-nos um cenário provocado pela pandemia muito mais negro do que aquele que vínhamos seguinte diariamente. São quase mais meia centena de mortes contabilizadas nestas duas semanas, que deixam a taxa de mortalidade acima dos dois por cento.
Mas estes são os efeitos mais visíveis e negros da pandemia. No entanto, muitos outros efeitos ficam por se ver e são igualmente nefastos.
O sentimento depressivo e de afastamento, que nos vai isolando emocionalmente enquanto sociedade, que efeitos terá naquelas doenças silenciosas que nos atacam quando menos esperamos?
Ainda há uma semana chorámos a morte do diretor do jornal Nordeste, Teófilo Vaz, mas os últimos meses trouxeram-nos tantos outros exemplos semelhantes.
Até que ponto o stress emocional que nos tem toldado e pressionado se repercute na saúde física, emocional e espiritual?
Os efeitos, para já, ainda não são mensuráveis, pois estamos ainda numa fase muito precoce mas é um fenómeno que merece ser estudado, e atentamente.
Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, a 01 de janeiro, o Papa Francisco alertava para o cuidado como promoção da dignidade e dos direitos da pessoa. "«O conceito de pessoa, que surgiu e amadureceu no cristianismo, ajuda a promover um desenvolvimento plenamente humano. Porque a pessoa exige sempre a relação e não o individualismo, afirma a inclusão e não a exclusão, a dignidade singular, inviolável e não a exploração». Toda a pessoa humana é fim em si mesma e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos, bem como os deveres, que recordam, por exemplo, a responsabilidade de acolher e socorrer os pobres, os doentes, os marginalizados, o nosso «próximo, vizinho ou distante no espaço e no tempo»".

Não deixa de ser preocupante o alerta deixado pelo empresário Mário Ferreira sobre as demoras na implementação do plano de mobilidade do Tua. Há dez anos que as populações daquela zona do distrito de Bragança perderam o seu principal meio de locomoção e de ligação ao meio urbano, aonde têm de ir ao médico ou simplesmente fazer compras. A questão é que, agora, com os efeitos da pandemia a afugentar o boom de turistas que dava algum colorido à região, pode a burocracia ser a desculpa perfeita para os privados fazerem abortar definitivamento o projeto que nasceu como uma compensação às populações. E isto que a EDP, dona da barragem que deu origem a esta necessidade de compensar as populações, já se desfez do problema. Mais uma vez, o pobre é que paga.

O Mensageiro de Bragança cumpre esta semana 81 anos de publicações ininterruptas. O esforço do jornalismo é, hoje, mais importante que nunca para levantar os véus que pendem sobre a ve

Edição
3814