Márcio Santos

Meteo Trás-os-Montes

Depois da chuva, novamente o frio…

Depois de um arranque de semana marcado pelas baixas temperaturas, nevoeiro e sincelo que causaram alguns constrangimentos na região, o padrão meteorológico alterou-se a partir da última terça-feira, lentamente a instabilidade conseguiu romper o domínio anticiclónico e várias frentes atlânticas avançaram para a nossa região, a principal consequência desta alteração foi a introdução de nova dinâmica na atmosfera, com movimento nas camadas altas, rompendo de vez com a inversão térmica e pondo um ponto final neste episódio gélido e seco que durava há várias semanas.


Bloqueio anticiclónico duradouro e baixas probabilidades de precipitação

As chuvas cessaram nos dias que imediatamente antecederam a época natalícia, o padrão mudou radicalmente, de uma situação perturbada de poente, passamos para um potente e duradouro bloqueio anticiclónico, garantindo um panorama estável, sem precipitação, com fortes inversões térmicas e nevoeiros persistentes.
Uma vez que aos nevoeiros se juntaram temperaturas negativas, também assistimos à aparição dos típicos sincelos, um verdadeiro espetáculo na natureza que pintou muitas zonas da região de branco, fazendo lembrar um elemento que continua ausente neste inverno, a neve.


O ano vai mal, se não há três cheias antes do Natal.

O período natalício aproxima-se a passos largos, os dias continuam a “minguar” a cada jornada que passa, continuaremos a perder minutos de luz solar até à chegada do inverno astronómico, que arrancará em Portugal e no hemisfério norte às 4h19 (Lisboa), do próximo dia 22, como sabem em meteorologia, as estações do ano não seguem o calendário astronómico, tendo assim começado o inverno meteorológico no passado dia 1 de dezembro, durará até ao próximo dia 29 de fevereiro de 2019.


No dia de Santo André, pega o porco pelo pé; se ele disser quié-quié, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal-que-tal, guarda-o para o Natal.

Em toda a região já se pensa na tradicional matança do porco, como sabem, trata-se de uma atividade que também depende em boa medida das condições meteorológicas, uma vez que é preferível que se tenha tempo seco e frio, fundamental para curar as carnes e para que se possa efetuar a secagem do fumeiro com qualidade acrescida, já o veremos adiante…


De Santa Catarina ao Natal, bom chover e melhor nevar.

Cumpriram-se as previsões e a neve acabou mesmo por aparecer pelo nordeste transmontano na semana passada, e surpreendeu, pois não esperava tanta acumulação como a que acabou por suceder nas montanhas no norte do distrito onde nevou com intensidade, em especial na passada quinta-feira, nas serras de Montesinho, Corôa e Nogueira, quando acabou por nevar também na capital, Bragança, com pouca intensidade e sem acumulação, de qualquer forma foi o suficiente para fazer da nossa cidade a primeira capital de distrito a registar o ansiado elemento branco na presente temporada invernal 2019/20.


“Se o Inverno não errar caminho, tê-lo-eis pelo S. Martinho.”

Os Santos já lá vão e novembro avança com rapidez, mês que marcará o fim do outono meteorológico, os dias continuam a perder luz solar de forma acelerada e à chuva, juntou-se nos últimos dias o tempo mais fresco, próprio da época em que estamos, pelo menos à data de hoje, parece ser provável que este ano não tenhamos o famoso “verão de São Martinho”, em boa verdade, não faz falta, até tivemos verão de mais nos últimos meses.