Márcio Santos

Meteo Trás-os-Montes

“Em Maio, iguala o pão com o mato, a noite com o dia, o Sol com a Lua e o Manel com a Maria”

Desde que chegou, que a primavera se tem pautado pela variabilidade. Temos assistido a períodos de instabilidade, com precipitação abundante, intercalados por períodos de temperaturas bem acima da média com muito sol, como foi o caso dos últimos dias. Contudo, hoje já sentiremos uma mudança de tempo, chega uma nova massa de ar que fará descer significativamente as temperaturas, tanto máximas como mínimas e provavelmente teremos o regresso dos aguaceiros e trovoadas à região nos próximos dias.


“Não há maio sem trovões, nem homem sem calções”.

Já estamos em maio, mês das trovoadas, mas será que também maio já não é o que era? Recordo a minha infância, quando assisti a grandes trovoadas em maio, tão grandes que os ribeiros se enchiam em questão de minutos e muitas vezes galgavam as margens, os caminhos agrícolas ficavam intransitáveis e as perdas nos campos agrícolas eram frequentes, trovoadas que chegavam a meio da tarde duravam até de madrugada, os céus passavam horas a serem “rasgados” por raios que por instantes faziam da noite, dia.


A água que no verão há-de regar, em abril e maio há-de ficar

Com as chuvas dos últimos dias, muitos pontos da nossa geografia conseguiram acumulados muito próximos das normais climatológicas para abril. Seriam valores muito positivos se tivesse chovido o que deveria nos meses de inverno, assim, e apesar da precipitação registada ao longo deste mês, a seca continuará a dominar o panorama meteorológico no nosso país nas próximas semanas e meses.


Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.

Se no passado mês de março os prognósticos a médio e longo prazo se cumpriram, o mesmo não se pode dizer das previsões para o arranque de abril, previa-se um arranque do novo mês dominado pelas altas pressões, contudo assistimos a uma mudança radical de padrão nos últimos dias, com trovoadas irregularmente repartidas pela nossa geografia nos primeiros dias desta semana, pela descida brusca das temperaturas que sentimos desde ontem e pelo regresso de alguma precipitação em forma de neve nas terras altas.


Se não chover entre março e abril, venderá El-rei o carro e o carril

Desenganem-se aqueles que pensam que os três dias de chuva da semana passada foram suficientes para minimizar os efeitos da seca, já grave, que afeta não apenas a nossa região, mas todo o país de norte a sul. Embora a situação não seja desesperante para aqueles que vivem das atividades do mundo rural, parece-me mais evidente que a situação se vai agravar nas próximas semanas. O modelo europeu ECMWF nas projeções de médio/longo prazo prevê pouca precipitação pelo menos até ao final de março.