O meu herói
«…Exorcizo o paludismo
apeio a poliomielite
amputo a desgraça
e eis a graça da criança
florescendo a vida».
António Soares Lopes (poeta guineense)
«…Exorcizo o paludismo
apeio a poliomielite
amputo a desgraça
e eis a graça da criança
florescendo a vida».
António Soares Lopes (poeta guineense)
Trago ao leitor três depoimentos acerca da experiência ‘vivida’ por pessoas concretas que contraírem o SARS-CoV-2 – cujos nomes, como compreendereis, não revelo. Curaram. Felizmente.
Vejamos:
1.ª Doente de 74 anos, do sexo masculino
“Inicialmente, fiquei em casa, pois a minha mulher já fora internada com este vírus; os meus filhos levavam-me a comida a casa; de seguida, fui internado e estive nos cuidados intensivos em coma induzido durante quinze dias.
Esta é uma doença do ‘desamparo’; houve momentos que pensei em deixar-me morrer”.
Muito se escreve e se comenta sobre a pandemia e o cumprimento das normas respeitantes ao respetivo controlo – ainda bem. Basta abrir os jornais, ouvir os noticiários, e, sobretudo, os comentadores. Não curo de verter aqui exemplos vários de tanta informação, que, sendo necessária para fomentar o conhecimento reflexivo, optam alguns dos seus autores, por vezes, demasiadas vezes, por um sensacionalismo feroz que, de forma recorrente, gera exageros e mesmo confusão e desconfiança.
1. Na última crónica – “Que tempos são estes?”, no ponto 2, atrevi-me a sugerir leituras que permitiriam preencher momentos de lazer, que, por força do cumprimento das normas sanitárias, e no uso da nossa condição de cidadãos atentos, habitualmente nos ligam à cultura, seja qual for a sua natureza. Certo é, apenas relembro, que a expressão “cultura” abrange um conjunto alargado de horizontes, de disciplinas, de saberes.
1. Escrevo esta crónica em período quaresmal. Confinado. Fisicamente. Utilizando a tecnologia, agora mais vulgarizada, um amigo, aqui da minha terra, lamentava-se: agora, não podemos participar nas tradicionais cerimónias desta quadra, tão importante para os católicos. Ao que eu rebati, afirmando que agora as cerimónias perderam a importância que lhes atribuímos quando, crianças e jovens, ouvíamos o repicar dos sinos, seguíamos todos os cortejos, sobretudo aguardávamos a entrada de Cristo nas nossas casas, ouvindo o Aleluia. Tudo está no sótão das memórias!
Temos vindo a verificar que exigimos muito à ciência nestes tempos de pandemia e exigimos pouco de nós próprios. Vi escrita esta frase: «A ciência moderna tem por base a sentença latina ignoramus – não sabemos» (Yuval Noah Harari, Sapiens – História Breve da Humanidade, primeira edição de bolso, 2020, edição Elsinore, Braga, pág. 295). Ora, fazendo a ligação entre a ciência e as situações concretas que vivenciamos, pareceu-me oportuno, tecer algumas reflexões, partindo da ideia que aquele frase Transmite. Terão elas oportunidade?
Tenho andado à volta deste bitcho que tanto nos preocupa. A todos. As razões são consabidas: está o bitcho entre nós, e nós tentando combatê-lo com as armas de que dispomos, seja aplicando as medidas tradicionais (máscara, distância física e social e lavagem das mãos), seja administrando a vacina, que, apesar de alguns descaramentos irresponsáveis e nada éticos, está num ritmo e numa correção muito aceitáveis.
1. Breves textos introdutórios
1.ª Temos de ter esperança, se não, não valia a pena. - Aida Semedo, 81 anos, no momento de tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19 – In Jornal Público – 06.02.2021, pág.6.
2.ª “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos” – Hanna Arendt (filósofa judia alemã, naturalizada americana) em ‘As Origens do Totalitarismo’. D. Quixote.
“Independentemente dos avanços da ciência e da medicina, as epidemias mortíferas são mais ameaçadoras do que nunca” (Christian de Dove, bioquímico belga e Prémio Nobel da Medicina, 1917-2013)