A opinião de ...

De Carção para o mundo com muito orgulho e incontida vaidade

Nas últimas semanas, e não pelos melhores motivos, a aldeia de Carção que, já na década de sessenta, o escritor e poeta Manuel A. Ferreira, numa simples quadra, referia assim:
“Entre o Sabor e o Maçãs,
Santulhão e Argoselo,
Não lhe chamem só Carção,
Mas coração do concelho”,
e que, depois duma investigação exaustiva, os investigadores Drª Fernanda Guimarães e António Andrade, classificaram como “ A Capital do Marranismo”, subitamente, passou a aparecer nas manchetes dos jornais e teve honras de abertura nos principais serviços informativos das horas nobres de todas as televisões.
Solidário com o sentir, o pensar e o sofrer individual e coletivo das gentes da minha terra, ainda não totalmente refeitas do cataclismo que assolou o seu “Lar de Idosos de Nossa Senhora das Graças”, tenho de reconhecer que não era esta a cobertura informativa que aquelas gentes esperavam e mereciam e a dimensão desta tragédia prudentemente aconselhava e, ao mesmo tempo, destacar algumas das raras e honrosas exceções, com especial referência para os órgão de comunicação regionais. A pesar das suas limitações e escassez de meios, como é seu timbre e imagem de marca, goste-se ou não se goste, é da mais elementar justiça reconhece-lo, o Mensageiro de Bragança brilhou, pelo rigor, pela oportunidade e pelo seu claro sentido de serviço público, ensinando a muito boa gente do sector como deve ser tratada a informação. Mas isto são contas doutro rosário…
Voltando ao surto de Covid que eclodiu no lar de Carção, desta dramática situação que, graças a Deus, já parece estar controlada, com o meu orgulho e mal disfarçada vaidade de carçoneiro, nestes tempos difíceis que, mais do que palavras, exigem de todos trabalho e dedicação, (para falar e aparecer nas televisões, já temos um largo superavit de gralhas e de papagaios que, para fazerem a triste figura que fazem, mais valia pagar-lhes o ordenado só para os ter calados, gente que consegue falar um dia inteiro sem dizer nada que se aproveite), permito-me escrever apenas mais duas palavras, que julgo da mais elementar justiça.
Para as colaboradoras do lar, um sincero e caloroso agradecimento pela nobreza da atitude de total dedicação, amor e carinho demonstrado para com os” seus” idosos quando, para não os deixar desamparados nestas horas trágicas para eles e para as suas famílias, decidiram passar para segundo plano as suas próprias famílias e os seus legítimos direitos e interesses pessoais e optaram por permanecer nos seus postos de trabalho.
Para as nobres gentes de Carção que, todos os dias e a todas as horas, correm para o Lar, levando o que têm de melhor e o que de melhor sabem fazer para, como dizem, levar a todos carinho, conforto e a esperança de que, com a graça de Deus, tudo irá melhorar.
Rendido mais uma vez à qualidade única destes autênticos filhos de Carção, agora com redobrado orgulho, volto a proclamar bem alto que os carçonenses são um povo filho de um Deus maior e, enquanto tal, um povo nascido para a eternidade.

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3801