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A Imaculada Conceição A festa do começo absoluto

A solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria celebra-se a 8 de dezembro, após a da Anunciação do Senhor, a 25 de março.
Maria concebida sem mancha é antes de mais uma proposição da doutrina sobre a graça e sobre a redenção. Esta verdade dogmática da Imaculada Conceição lembra-nos que quando a teologia fala de «dogmas marianos», não o faz porque o conteúdo dos mesmos esteja relacionado com outro acontecimento, ou facto, que não sejam os «dogmas cristológicos» .
O Papa Pio IX fixou o dogma da Imaculada Conceição, a 8 de dezembro de 1854, pela Bula Ineffabilis Deus. Esta realidade evoluiu na lenta procura de expressões e formas, através do esclarecimento doutrinal.
No século XI a Imaculada tinha já adeptos em Inglaterra e na Normandia, bem como a lenda era veiculada pelo livro De conceptione Virginis Mariae, atribuído a Santo Anselmo [1033-1109], utilizando-a para as lições do ofício de 8 de dezembro, descortinando-se aqui uma teologia ocidental, que ganha independência do oriente de onde se tinham importado todas as festas marianas.
No século XII em Portugal conhecem-se diversas igrejas, capelas e, altares, dedicados à Imaculada Conceição de Maria. As primeiras festas da Imaculada surgiram ou pela influência devocional dos cruzados, ou pela intervenção do 1.º bispo de Lisboa, Gilberto de Hastings [1147-1166].
No século XIII testemunham a espiritualidade conceicionista o Costumeiro de Pombeiro e, o fragmento do Breviário da Diocese do Porto.
No séc. XIV destaca-se a ação dos Franciscanos, influenciados pelo imaculista Duns Escoto, Universidade de Paris e, a instituição da Festa, em 1310, no sínodo de Salamanca, Província de Compostela, da qual eram dependentes várias dioceses Portuguesas. Para assinalar os 700 anos do Culto da Imaculada Conceição em Portugal, D. Virgílio Antunes recorda D. Raimundo Evrad, que a 17 de outubro de 1320 instituiu a festividade da Conceição de Maria, mandando que se celebra-se todos os anos a 8 de dezembro na Basílica de Santa Maria de Coimbra, hoje, a Sé Velha.
No século XV as visões de Santa Beatriz da Silva [1424-1492] contribuem para difundir por toda a Europa uma piedade conceicionista.
No século XVI para os teólogos começa a ser evidente que Maria é exemplar prefeito de uma nova humanidade, nova Eva, saída das mãos de Deus, sem o peso do pecado.
No século XVII a religiosa Maria de Jesus Àgreda [1602-1605], na sua obra Mystica Ciudad de Dios, explana a vida da Virgem a propósito da sua Imaculada Conceição e, o Jesuíta Português Francisco da Fonseca dá eco desta corrente.
Para nós o momento cume de promoção do culto a esta invocação mariana deu-se em 1646, quando D. João IV proclama a Imaculada como sua rainha e padroeira de Portugal, abrindo assim caminho à posterior fixação do dogma, que estabelece que Maria foi concebida sem mancha de pecado original [Cat. 491].
O dogma, de 1854, é o eclodir de uma ideia clara na fé católica e o evidenciar de uma verdade vivida nos corações dos crentes. As aparições de Lurdes de 11 de fevereiro de 1858 dão seguimento às afirmações papais e ganham relevo na proximidade do evento. O Santuário do Sameiro, 1862-1869, marca em pedra o dogma e, a devoção conceicionista popular.
Com a festa do começo absoluto, como lhe chama São Paulo VI, Deus preservou a Virgem Maria de toda a mancha, para ser a digna mãe do seu Filho e, o dogma apresenta-a como a primeira redimida pela Páscoa de Cristo [CDC. c. 490-493].

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