A opinião de ...

E agora, Rui Rio?

No vai vem da vida política agrada-me a probidade de todos quantos a elegem como estandarte a preservar contra ventos e marés de vários quilates e tentações. Ora, é a probidade que emana do currículo deste homem teimoso, dado a embirrações, de costas voltadas para salamaleques e punhos de renda e que ajudei a eleger como Presidente do PSD. Não é um homem vão, catavento a falar disto e daquilo, de tudo e de nada, tão jeito da sociedade de espectáculo (Debord) que povoa, enche, está a prevalecer no dia-a-dia político centrado em S. Bento, Belém e Gomes Teixeira. No sábado passado venceu a segunda volta das eleições para Presidente do partido laranja, venceu bem, as reacções surgiram de imediato, duas apoiantes de Montenegro (Teresa Morais e Virgínia Vitorino) logo soletraram palavras de desaforado despeito prenúncio de amigas de continuarem a guerrilha contra Rio, o que à partida significa turbulência e tormenta trombeteada por dá cá aquele palha. Espero que Rio não seja tão bondoso e paciente quanto Job foi.
O recém-eleito ganha se levar a peito e a eito a máxima – Deus manda-nos sermos bons, não no manda ser parvos – tendo o cuidado de estender as duas mãos a todos quantos votaram em Montenegro porque o entenderam por e para bem do PSD, a ortodoxia nunca rendeu bons fruto e perenes, a franca e leal discussão e defesa de opiniões diferentes rende réditos prolongados e amizades duradouras. A política escora-se em amizade, nunca deve enfiar-se no casulo do amiguismo gerador de ódios que não cansam. Um escritor oitocentista, de segunda linha, escreveu “Ódio Velho Não Cansa”, porém causa dores de estômago e reumático asseguram textos de aforismos e sentenças que não exemplares.
O caminho que espera Rio não é o das pedras, é o carreiro, às vezes carreirão inçado de pedregulhos aguçados, calhaus e cascalho miúdo, por isso mesmo além do cuidado a ter ao pisá-lo, terá de levar consigo uma pá e um bornal a fim de conseguir chegar ao destino sem mazelas de maior e entregar a carta a Garcia exibindo sorrisos de satisfação ante o dever cumprido.
O expectro partidário deve fugir do sonho da mexicanização debaixo da batuta socialista tendo uma solista bloquista, um soprador de tuba comunista e um rabequista defensor do escaravelho da batata. Na Europa sopram ventos fortes prenunciadores de tormentas que causaram dor, peste e morte de milhões de pessoas.
O ora reeleito Rio afirma e eu acredito ter no seu ideário defender Portugal primacialmente, esta ideia de Portugal levou a que ao longo dos séculos conseguíssemos superar toda a casta de dificuldades, por isso mesmo espera-se, espero, a plena assumpção da prioridade ao País, só depois ao partido. Vai demorar, o provérbio salienta – Roma e Pavia, não se fizeram num dia –, pois não, a próxima tarefa é recuperar autarquias. Os trabalhos vão preencher os dias!

Edição
3765