José Mário Leite

A PRINCESA A COROA E O SNS

Havendo semanas em que os temas para cronicar escasseiam, outras há em que abundam e a dificuldade reside na escolha. Era difícil não ser inundado pela enxurrada de notícias vindas de Angola e da que ficou conhecida como Princesa de África. Acompanhando o desenrolar da “novela” à distância fui surpreendido, no meio das revelações feitas pelas investigações do ICIJ, a coligação internacional de jornalistas de mergulhou nos meandros da construção do maior império financeiro africano, com uma página promocional louvando as ações de responsabilidade social de Isabel dos Santos.


Está tudo bem!

“Está tudo bem!” escreveu Donald Trump no twiter depois da “bofetada” que o regime iraniano entendeu “dar” aos Estados Unidos da América depois de o presidente norte-americano ter mandado abater o general Qasem Soleimani.
No ataque de retaliação dos aiatolas não morreu nenhum soldado americano, por isso está tudo bem!


O Frankenstein

No quadriénio de 1993-1997 trabalhei de perto e com frequência com vários técnicos da CCDRN (na altura apenas CCRN). Estava em curso a maior tarefa de planeamento desconcentrada, com a elaboração e aprovação da primeira geração dos Planos Diretores Municipais, vulgarmente conhecidos como PDM. Estou certo que os grandes centros urbanos teriam levado a bom porto este desiderato, de forma autónoma e sem grandes dificuldades e com reduzidos desvios do verdadeiro interesse público.


A PAPOILA DO LIVRE

Conheço várias pessoas que, votaram no Livre, exclusivamente por se reverem nas posições coletivas do partido, sobretudo, nas propostas expressas pelo seu líder e fundador. Não conheciam Joacine de qualquer outro lugar para lá da sua titubeante e enervante (não temos que ter medo das palavras quando estas traduzem a realidade) participação no programa do Ricardo Araújo Pereira. Hoje, perante as posições e atuações conhecidas da deputada, não escondem a sua desilusão e até arrependimento por terem colocado a cruzinha à frente do logótipo da papoila que representa o partido de RUI TAVARES!


O LÍTIO, O FERRO E O CHUMBO

Respeitando todas as opiniões não é fácil aceitar o argumento, demasiadamente usado por quem defende a exploração mineira, acusando os que a contestam de não dispensarem os telemóveis que usam baterias de lítio. Se essa argumentação fosse razoável então não haveria como sustentar tantas reivindicações justas e certas pois seria sempre possível encontrar manifestantes automobilizados entre os que reclamam do excesso de tráfego nas cidades e consumidores de produtos orientais entre os que não se calam contra a exploração de mão-de-obra escrava na Ásia.


JÁ NÃO HÁ RESTAURANTES À BEIRA DA ESTRADA

Nos épicos anos de setenta e oitenta, viagens com mais de cem quilómetros eram planeadas, tendo em conta o restaurante onde se haveria de parar não só para descansar, mas também para almoçar, jantar ou só merendar. Ficavam à beira da estrada e eram sobejamente conhecidos. Havia-os que se especializavam em comidas rápidas para os mais apressados ou para ainda ter uma refeição, fora de horas, para os mais noctívagos. Alguns deles abriam e fechavam de madrugada. Já não há. Desapareceram. Por “culpa” das auto-estradas e das vias rápidas.


(IN) JUSTIÇA

Na avenida Abovian, a mais antiga de Erevan, capital da Arménia, junto ao elegante e luxuoso Hotel Alexander, ergue-se uma enorme vivenda, usando como material de construção a negra rocha magmática, tão típica e característica da região. Esta área constituía, no início do século passado, o bairro mais rico e elitista da cidade. Viviam aqui as famílias mais abastadas e esta casa, em concreto, pertencia a uma família de médicos, famosa e bem sucedida. Tal como outras foi perseguida, alguns dos seus membros presos e outros conseguiram escapar.


Memória de papel

O título desta minha crónica poderia, numa primeira análise, remeter para a memória dos computadores que, devido aos trabalhos recentes da investigadora Elvira Fortunato, podem, num futuro breve, basear-se em transístores de papel. Não é disso que se trata, embora ande perto dessa quase realidade que se adivinha para muito breve. Li, recentemente, que a era dos cyborgs será inevitável e está próxima. De facto já começou! Ainda não chegou o homem biónico mas o seu predecessor já existe e está entre nós.


VAMOS VOTAR, CLARO. E DEPOIS?

Um amigo de longa data fez-me chegar um cartoon muito oportuno e que vi, depois, replicado nas redes sociais: um cidadão eleitor fala com outro cidadão falando-lhe de um candidato que jura que, depois das eleições vai baixar os impostos. Responde-lhe o interpelado: “Então diz-lhe que votamos nele depois das eleições...”