José Mário Leite

O VOTO NO(S) SEGUNDO(S)

O neurocientista Joe Paton confirmava-me, apresentando razões e fundamentos científicos o que uma reflexão sobre o nosso dia a dia facilmente nos mostra: A maioria das nossas decisões não resulta de nenhum processo racional, antes decorre de opções meramente ou maioritariamente emocionais. E não só as normais e comezinhas escolhas diárias, como igualmente as de grande impacto na nossa vida, como a compra de casa e a escolha de uma profissão, disse ele, a filiação partidária e o voto em eleições, acrescento eu.


LA TRAPPOLA (O Retorno Positivo)

A estabilidade dos sistemas complexos e dependentes de algumas variáveis baseia-se num princípio de controlo, geralmente automático, gerado pelo que se designa o Retorno Negativo e que se traduz, de forma simples, no seguinte mecanismo: sempre que um sistema estável é sujeito a uma perturbação, acontece uma reação, que contraria parcialmente o primeiro efeito fazendo com que, o resultado vá diminuindo progressivamente, ficando anulado após um determinado tempo, mais ou menos longo, de acordo com as respetivas características.


PARADOXO AGRÁRIO

Durante milénios, a agricultura foi a principal atividade produtiva da humanidade. Para fazer face às necessidades alimentares adicionais, resultantes do crescimento da população foi descobrindo, desmatando e adaptando novos solos para suportar o aumento das culturas. Esta relação, se mais nada fosse feito, conduziria a uma situação em que já não haveria alimento suficiente e a humanidade teria de ser contida por se ter atingido o ponto máximo da sustentabilidade.


Caim/Cain

Os nomes não são mais do que meras convenções. Se dermos outro nome à flor a que chamamos rosa não perderá por isso o seu perfume diz a Julieta a Romeu no famoso romance de Shakespear de que fiz uma tradução livre. Apesar de tudo nomes há que, parecendo renegar a sua convencionalidade, como que ganham vida própria, agarraram-se à coisa nomeada acabando por perder toda a sua natureza de convenção e transformam-se no objeto que “nomeiam”. Nestes casos torna-se impossível separar o nome da coisa ou de a esta dar outro, que não poderá nunca ser se não uma outra etiqueta qualquer.


Bizarria?! Nem pensar...

Quem tiver o desígnio de ser um bom gestor, se quiser levar o seu intuito a sério e de forma honesta, saberá ou aprenderá a primeira regra da gestão: só se controla aquilo que se conhece. Gerir é controlar. Foi por reconhecer esta verdade quase banal, de tão óbvia, que o legislador, no longínquo ano de 1999, tornou obrigatória a adoção da Contabilidade de Custos mais vulgarmente conhecida Contabilidade Analítica.


Requiem pela Geringonça

Muito se tem falado sobre os possíveis acordos parlamentares (ou governamentais) após as próximas eleições legislativas. Tudo se tem centrado à volta da possibilidade de o PS obter, ou não, a maioria absoluta em outubro próximo. Erradamente, a meu ver. A solução governativa não está cativa de maiorias absolutas, tal como nunca esteve. Foram vários os governos minoritários e a condição de exercício do poder passou, como continua a passar, pela existência ou não de uma maioria que se lhe possa opor.


Artur

Há homens que imprimem uma marca no seu tempo, no local onde vivem e, sobretudo nas pessoas, com quem se relacionam, de tal forma vincada, impressiva e duradoura que difícil e tardiamente se diluirá. Artur Pimentel foi um desses homens. Cultivou, como poucos, as relações humanas, sem exceções e brindou alguns de nós com uma amizade sincera, desinteressada, íntegra e solidária.
Foi um político de eleição. A sua integridade, honradez e espontaneidade só encontravam rival no seu tratamento humano, afável e tolerante.