A opinião de ...

Um Outono de Medo e Insegurança

Vivemos hoje, numa sociedade de risco elevado. É essa a perceção dos portugueses, dos europeus e também dos cidadãos do mundo. Esta perceção global de exposição ao perigo, já era justificada por diversos fatores, uns mais evidentes e palpáveis outros mais indefinidos. A criminalidade associada à violência urbana, os acidentes de viação e as suas consequências são fenómenos bem conhecidos e próximos. Já os resultantes da poluição e das alterações climáticas ou de qualquer tipo de terrorismo, da exposição nuclear ou às armas de destruição massiva parecem estar algo mais distantes. Esta permanente exposição ao perigo está agora agravada, e de que maneira, pela exposição à nova doença do Covid 19.
Numa notícia recente do jornal Expresso online, sobre a situação na região de Madrid, uma residente sujeita às últimas restrições de mobilidade, dizia ao jornalista: “O confinamento total assusta-me muito”. A evolução da pandemia, as notícias sobre a incerteza temporal de uma vacina, a contabilidade dos surtos e novos casos de infeção, sobretudo nos profissionais de saúde, não nos trazem tranquilidade. Também a opinião de muitos especialistas que vêm a terreiro defender os seus pontos de vista, muitas vezes contraditórios. É caso para dizer que estamos todos meios assustados. Temos receio de andar na rua, mesmo com máscara. De entrar nos estabelecimentos, de conviver e confraternizar. Temos medo de estar infetados e podermos infetar outros, sem saber. Já conhecemos muito sobre esta nova doença pandémica, das suas consequências para a saúde e para a economia, mas há muitos aspetos que ainda desconhecemos sobre a sua evolução. Vivemos inseguros. Sim, agora quase todos os nossos comportamentos são de risco e podem constituir perigo para o próximo. Então quando esse próximo é mesmo o “nosso”, os netos, os avós, os pais, os filhos, o nosso medo aumenta de forma exponencial. Porque a saúde é essencial para uma vida tranquila, que é o que mais desejamos.
O risco, para Ulrick Beck (1944-2015), sociólogo alemão que desenvolveu a teoria da “sociedade do risco”, é um estádio intermédio entre a segurança e a destruição. A perceção dos riscos ameaçadores determina o pensamento e a ação. Por outro lado, o risco pode ser definido como “a forma sistemática de lidar com os perigos e as incertezas produzidos e introduzidos pela modernização”.
No nosso caso mais atual, não se sabe ainda muito bem se o novo coronavírus é produto da evolução da modernidade e como foi introduzido ou se desenvolveu no corpo humano. Sabemos é que constitui um perigo permanente que limita e afeta o nosso quotidiano. Com a notícia de que não é possível voltar ao confinamento total imposto no mês de Março, sobretudo por razões económicas, com o início do ano escolar, bem como o regresso total às atividades normais após o verão e a mobilidade que tal implica, este risco é agora bem mais evidente ainda.
Para minimizar este risco social é mesmo necessário que cada um adote todos os comportamentos seguros aconselhados pelas autoridades de saúde. Só assim poderemos estar um pouco mais tranquilos neste Outono.

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