A opinião de ...

Festa de Agosto: a fé que vence distâncias e arrasta multidões

Na sequência do meu comentário da semana passada sobre o regresso a casa dos emigrantes no mês de agosto, volto à problemática da emigração, agora com especial atenção para os emigrantes que, apesar das atuais dificuldades, mesmo assim, resolveram, como sempre, passar as férias nas suas terras.
Desde tempos imemoriais que o mês de agosto é considerado um mês muito especial. É o mês do bom tempo, das colheitas e, também, das solenes festas religiosas, celebradas, na sua grande maioria, em perfeita sintonia com valiosos programas lúdico-culturais das tradicionais festas e romarias, festas que, pelas terras de Trás-os-Montes, em certa medida, se sobrepõem ao próprio Natal, como sendo o grande dia do reencontro, do convívio e das reuniões familiares.
Contrariando todo os alarmismos e especulações de certos profetas da desgraça sobre a vinda dos nossos emigrantes que, por razões que a cada um dizem respeito, e ainda que em menor número que em anos anteriores , não resistiram às saudades e ao chamamento das suas raízes e voltaram às suas terras passar mais um mês de agosto no aconchego dos seus e no conforto das suas casas nas condições da atual pandemia, enchendo de alegria todos os que os esperavam, os emigrantes têm todo o direito a exigir a todos, particularmente às autoridades civis e religiosas, e a cada um na medida das suas responsabilidades, que lhes sejam facultadas condições para uma boa estadia enquanto se encontrarem nas suas terras.
É oportuno lembrar que, quase sempre, o grande motivo que os arrasta para as suas terras é, como muitos confessam, a necessidade irresistível que sentem, de “ vir à festa para pagar as promessas das graças recebidas e pedir a bênção e proteção” dos santos da sua devoção para mais um ano de trabalho. Vista assim, sem menosprezar ninguém, a vinda de emigrantes tem de ser compreendida, aceite e cuidadosamente acompanhada sobretudo pelos responsáveis eclesiásticos. enquanto verdadeiros pastores e guias responsáveis pelo rebanho q de almas ue o senhor lhes confiou, num verdadeiro espírito de missão e de serviço em conformidade com o mais puro espírito do próprio evangelho, evitando que, como muito bem diz o nosso povo, “por causa de uma manada de farelos, se estrague o saco da farinha”. Porque estamos no verão e sempre que as condições o aconselhem e para evitar o desconforto e o risco de ventilações insuficientes, em vez de encurralar as celebrações religiosas e enlatar os fiéis em capelinhas exíguas ou em igrejas, tantas vezes acanhadas e sem as mínimas condições, como fizeram os apóstolos, nos primeiros tempos do cristianismo, porque não levar para rua a proclamação da palavra de Deus e a celebração dos sagrados mistérios da nossa fé? Nesta pergunta, fica apenas uma sugestão e um desafio.
Assim liberta de muitos “regras de sacristia”, desatualizadas e vazias de sentido, duma qualquer paróquia “bem organizadinha”, a atividade pastoral será tão mais profícua, melhor compreendida, bem assimilada e mais facilmente interiorizada por todos, quanto a sua vivência for inspirada num autentico espírito de comunidade, onde todos se sintam verdadeiramente irmãos na fé, fortalecidos na esperança e solidários na caridade.

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