O nosso Nobel
O Prémio António Champalimaud de Visão que este ano celebrou 19 anos (foi instituído em 2006, no ano seguinte à criação da Fundação Champalimaud) é conhecido, internacionalmente como o Nobel da Visão.
O Prémio António Champalimaud de Visão que este ano celebrou 19 anos (foi instituído em 2006, no ano seguinte à criação da Fundação Champalimaud) é conhecido, internacionalmente como o Nobel da Visão.
Quando me cruzei com a Maria nos corredores da Fundação Champalimaud, já lhe conhecia o nome por me ter sido referido, com insistência, no ano anterior ao da sua vinda. O Henrique Veiga Fernandes, um dos mais bem-sucedidos Investigadores da Champalimaud que chefia um grupo de cientistas dedicados à Imunofisiologia na área de investigação em Fisiologia e Cancro, ligou-me várias vezes, no final de de 2020. Tinha identificado uma investigadora, altamente qualificada, especialista em imunologia e estava preocupado com a demora na obtenção da autorização de residência.
Já lá vai um bom par de anos. Lembro-me, porém, muito bem da sua chegada à aldeia, num novíssimo Peugeot 504, de último modelo em azul elétrico, com a sua lustrosa matrícula francesa, bem evidente pelo brilho metálico das letras e números. Estava ufano pela sua conquista. Esteve anos e anos sem regressar à aldeia, depois da incursão bem-sucedida por terras gaulesas.
Cá estamos, de novo, em vésperas de eleições autárquicas. Os novos partidos aparecem reforçados e aumentam as candidaturas independentes. Porém há aspetos que se mantêm, e que, apesar de serem reconhecidos como tal, são fatores de distorção da democraticidade do sufrágio. O principal reside na vantagem de partida com que contam os incumbentes. A Lei determina que todos quantos se apresentam ao escrutínio popular o fazem em rigorosa condição de igualdade.
Querem por força fazer-nos crer que o “não é não” em que se baseou que a última campanha eleitoral da AD quer a anterior, continua válido, apesar dos evidentes sins; que continua vivo, mau grado a notória falta de sinais vitais.
Começou o julgamento mais mediatizado dos últimos tempos – o da chamada Operação Marquês onde o antigo Primeiro Ministro José Sócrates é acusado de vários crimes e de cujo cardápio saíram já outros tantos, durante o processo de instrução. Apesar dos numerosos indícios e flagrantes não há, tanto quanto se saiba, qualquer prova que incrimine o antigo governante.
Independentemente do seu alcance e da sua radicalização, os extremos, existem. Por definição, as franjas, de um lado e de outro de tudo quanto se situe ao centro, são os extremos do mesmo. Mais ou menos extremistas, mas isso é outra questão. É natural que tenham algumas semelhanças entre si, mas igualmente hão de ser caracterizados por diferenças substanciais. Não são a mesma coisa nem a sua distância ao centro é a mesma, sendo, inclusive, variável, para cada grupo, em função do tempo e das circunstâncias.
Quando, de manhã, entro no carro para me deslocar para a Fundação Champalimaud, em Pedrouços, por hábito e comodidade, mais do que qualquer necessidade, ligo o meu telemóvel ao sistema de orientação do veículo e, de imediato, aparece no ecrã a sugestão, para validação, do melhor caminho para o meu local de trabalho. Digo que sim, sem refletir. Obviamente que, fazendo este trajeto há mais de três anos, diariamente, não necessito de ser informado sobre o percurso. Faço-o por hábito.
Diz uma velha lenda africana que quando um raio pegou fogo à savana, todos os animais se apressaram a atravessar o rio pois a fúria e a velocidade das labaredas levavam, a eito, tudo quanto estivesse naquela margem. Quem sabia nadar tratou de atravessar as refrescantes águas fluviais, com a maior brevidade. Quem não sabia, foi, solidariamente, ajudado por quem tinha essa capacidade e disposição para tal. Sobrou o escorpião em quem ninguém confiava.