José Mário Leite

O LODO E AS ESTRELAS - II

Leio atentamente o texto do Ernesto Rodrigues na última edição do Mensageiro e assaltam-me recordações quase cinquentenárias. Ia quente 1975 sobretudo o verão, em brasa. Começava a praga dos incêndios florestais e experimentava-se a chaga do radicalismo político. Tal como ele também eu deveria ter entrado nesse ano para a Universidade mas a “obrigatoriedade” de passar pelos “Cívicos” levou-me de volta a Bragança e a acampar no S. João de Brito que eu conhecia de outras andanças. Quase irreconhecível o velho edifício amarelo ocupado por uma quinta divisão em funções de alfabetização.


Erro Crasso!

António José Seguro, falhadas as “negociações” com os partidos da maioria, regressou à estrada na sua interrompida campanha autárquica. Que na prática mais não é que a campanha de oposição ao governo garantindo que governar não é um jogo de cadeiras mas indicando a seguir que deveria ser antes um jogo de palavras. Como se o mais importante para Portugal e os portugueses em vez de uma inflexão nas políticas de austeridade fosse o significado que a palavra irrevogável possa ter.


Delito de Opinião

O jornal Expresso na sua edição de 20 de Julho de 2013 noticia na sua pag. 16 (com chamada à primeira página) que o cidadão Jacinto Lopes, testemunha de acusação, tendo colaborado com a justiça acabou por se incriminar e foi condenado. Ilegalmente. Não é claro se o referido cidadão é ou não culpado. O que é dito é que a sentença de que foi alvo foi considerada “inexistente porque foram esquecidas as mais elementares garantias de defesa”.


Não digam que eu não tinha avisado!

Não é nada agradável ouvir esta frase. Quer dizer que errámos quando alguém nos tinha indicado outro caminho com toda a certeza mais acertado que o que tomámos como certo! Mas também não é uma frase agradável de proferir. Pelo menos no que me toca. Embora estivesse genuininamente convencido do acerto do meu “conselho” preferia nalguns casos, como o que me traz aqui, estar errado. Por isso esta crónica é uma crónica adiada.


O Julgamento dos mortos

Desde a mais profunda idade da história humana que o julgamento dos mortos é uma tarefa divina. Desde sempre que os homens, arrogando-se a capacidade de, das mais variadas e diversas formas, julgarem os seus pares, reservam a uma entidade superior e sobredotada a capacidade de avaliar os atos de quem já não se encontra entre nós.