Editorial - António Gonçalves Rodrigues

A dupla penalização das tragédias

A perda de vidas humanas, sobretudo em acidentes, é sempre uma tragédia. Aquela que vitimou dois brigantinos no sábado, com a queda de uma aeronave, ainda se reveste de um caráter de maior injustiça.
Não só pela perda irreparável da vida de dois “dos nossos”, cidadãos reconhecidos e admirados, mas também por colocar em causa um projeto solidário do Aeroclube de Bragança que pretendia ajudar mais de 80 instituições de solidariedade do distrito.


Representação e representatividade

Fatal como o destino, quando se aproximam eleições, sobretudo as legislativas, que escolhem a composição da Assembleia da República, surge a discussão sobre o número de deputados eleitos. Mais ainda, em tempo de crise, dando espaço, também, a muita demagogia e populismo
Atualmente, são 230 os deputados da Nação, três deles eleitos pelo distrito de Bragança, quando, até 2009, eram quatro. A culpa é do despovoamento e do abandono a que a região tem sido votada, nos mais variados aspetos.


Um passado para memória futura

Imaginemos que, num daqueles países de terceiro mundo um organismo encarregue de inspecionar vias de comunicação de um determinado país deixa um alerta quanto a possíveis danos numa ponte. Continuemos nesse exercício, imaginemos mais um pouco que nenhuma autoridade competente (o Estado) mexe uma palha que seja. Afinal, se não caiu até agora, o mais provável é que continue de pé. Até que caiu. Uma investigação rápida conclui que houve incúria dos serviços públicos que deveriam ter zelado pela segurança da estrutura e impedido os acontecimentos que terão levado à degradação da ponte.


Estradas finas para um imperial futuro

Por estes dias, um concurso na televisão pública perguntava a um concorrente a que se referia no norte do país quando se pedia um fino. A resposta indicada era “uma imperial”. A questão é que “imperial” é um regionalismo, assim como “fino”, ambos referindo-se a cerveja de pressão. Mas traduz a visão centralista da capital de que o país é aquilo que se observa de uma qualquer janela do Terreiro do Paço. Mas o país é muito mais do que isso.


Moralidades

1. Durante anos, o currupio de milhões de euros à solta em empréstimos de toda a ordem e espécie, proporcionou um festim de uns poucos à custa de tantos.


Oportunidades

A vida é feita de oportunidades que, ou se aproveitam, ou se desperdiçam. Diz o ditado que quando se fecha uma porta, se abre uma janela. O problema é quando a porta não é mais do que a tal janela… de oportunidade e, uma vez fechada, não vai lá com arrombamentos.


Fadados ao estrelato

“Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite.”
As palavras de Miguel Torga continuam atuais como nunca. Felizmente, o que tem mudado é o coração de muitos que, aparentemente, hesita menos vezes.


Da dignidade da pessoa humana

“A Doutrina Social da Igreja, com a sua visão integral do homem, como ser pessoal e social, deve ser a bússola de todos. Tal Doutrina contém o fruto, particularmente significativo, do longo caminho do Povo de Deus na história moderna e contemporânea; contém a defesa da liberdade religiosa, da vida em todas as suas fases, do direito ao trabalho decente, da família, da educação.”

As palavas do Papa Francisco, proferidas em 2013, a propósito de uma visita de uma delegação de cerca de 200 pessoas do Instituto “Dignitatis Humanae” ao Santo Padre, permanecem atuais.